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Pixies amanhã no NOS Alive: “Vamos tocar duas ou três músicas novas”

A garantia é de David Lovering, baterista da banda de Boston, em entrevista à última edição da revista E, do Expresso. A força do passado, o temperamento do “patrão” Black Francis e o dia em que a banda conheceu Robert Plant (que atua no Alive, imediatamente antes dos Pixies) são outros assuntos abordados

"Vamos tocar duas ou três canções novas. A intenção é melhorá-las. Para já, ainda não sei no que é que vai dar. Correndo bem, vão entrar num álbum novo", dizia-nos David Lovering há algumas semanas, levantando a ponta do véu, mas também escondendo o "jogo" que se tornaria evidente hoje mesmo, pela manhã: a banda terá novo disco no final de setembro.

Marcos do rock americano na segunda metade dos anos 80 e início dos 90 (e uma das bandas mais queridas da sua geração), regressam a Portugal para aquele que será o sexto concerto entre nós desde a reunião, em 2004 – é amanhã, às 22h45, no NOS Alive. Agora que passam 25 anos sobre os míticos concertos nos Coliseus de Lisboa e Porto, David Lovering – o baterista, mas também ilusionista "encartado" – fala-nos da força do passado, do temperamento do "patrão" Black Francis e do dia em que a banda conheceu Robert Plant (que atua no mesmo festival, imediatamente antes dos Pixies) num avião.

Outros destaques:

Expectativas em torno do próximo álbum: "Antes de Indie Cindy, as pessoas estavam muito condicionadas pela nostalgia, queriam ouvir os Pixies clássicos ou aquilo que se convencionou chamar ‘o som Pixies’. Mesmo tendo sido lançado treze anos depois de Trompe Le Monde [1991], Indie Cindy é ainda o álbum a seguir a Trompe Le Monde. Sem querer arranjar desculpas, não é possível comparar Indie Cindy a [outros álbuns da banda como] Surfer Rosa ou Bossanova. São discos diferentes. Curiosamente, as músicas novas parecem ecoar o espírito das mais antigas, pelo que talvez consigamos deixar as pessoas mais satisfeitas para a próxima"

As memórias da primeira "vida": "Éramos jovens e impressionáveis. A verdade é que tínhamos muita música e adorávamos fazer aquilo. O único ponto negativo é que, dois meses depois de andarmos a tocar na estrada um determinado álbum, concluíamos: 'era assim que deveríamos tê-lo feito'. Agora dominamos todo o processo e só sai música quando nos sentimentos completamente satisfeitos com o resultado"

O "patrão" Black Francis: "Em jovens, éramos completamente disfuncionais. Todos. Há uma evidência: Charles escreve toda a música e é natural, por isso, que se assuma como o líder da banda. Quanto mais velhos ficamos… não diria que nos tornamos mais sábios, mas ficamos mais capazes de lidar com as pessoas. A maior parte das pessoas não muda, incluindo eu, mas aprende-se a gerir melhor as relações. E agora temos a Paz Lenchantin [baixista que ocupa o lugar que até 2013 foi de Kim Deal]... Ela é um novo membro e ninguém quer fazer figura de parvo à frente de uma pessoa nova"

O amigo Robert Plant: "Temos uma história engraçada. [Em 2014], estávamos num avião em Inglaterra e eu, o Joey e o nosso manager começamos a falar sobre futebol inglês. Entretanto, o cavalheiro que ia no lugar da janela juntou-se à conversa. Já estamos a falar há uns bons cinco minutos quando percebo: 'É o Robert Plant!'. Quando lhe dissemos que éramos os Pixies, ele respondeu: 'ah, os melhores de Boston!'. Fiquei derretido! Falámos durante todo o voo, no desembarque, no levantamento da bagagem, no parque de estacionamento… Foi um gentleman. Um mês depois recebemos um telefonema, era para nos juntarmos a ele em digressão [na primavera de 2015]! Vai ser ótimo reencontrá-lo"