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Angus Young em Portugal, 2016

Rita Carmo

A nova vida dos AC/DC começou em Portugal

Foi em Portugal que um dos mais improváveis mutantes do rock ganhou forma pela primeira vez: em maio, os AC/DC apresentaram-se em Algés com Axl Rose como vocalista, e a turba aprovou. José Miguel Rodrigues esteve lá e Lia Pereira falou com especialistas internacionais sobre a inesperada nova vida dos australianos

Fulminante ou fiasco: as apostas estavam altas, para a estreia dos AC/DC com Axl Rose, marcado para o primeiro sábado de maio, em Algés. O público português foi o primeiro a emitir um veredicto sobre uma das mais inesperadas junções do rock dos últimos anos, e o evento chamou a atenção da imprensa nacional e internacional, levando até Algés largas dezenas de milhares de fãs e curiosos. Passamos agora em revista os acontecimentos dessas semanas, desde o que se passou em palco até aos bastidores de um dos concertos mais históricos a que Portugal já assistiu.

Mais de quatro décadas depois de se terem formado, os AC/DC são uma das maiores bandas de rock de todos os tempos líderes incontestados de um movimento transversal a diversas tribos e fações, aglutinadores de gerações e porta-estandartes da atitude rebelde que, hoje em dia, falta a grande parte da música popular. O tempo, infelizmente, tem sido padrasto para a banda criada pelos irmãos Malcolm e Angus Young, sendo que hoje atravessam uma das fases mais complicadas de uma carreira pautada por uma sequência de enormes êxitos a contagem mais recente aponta para 200 milhões de discos vendidos em todo o mundo e alguns momentos incrivelmente dramáticos. O mais conhecido será o desaparecimento prematuro do vocalista Bon Scott, falecido a 19 de fevereiro de 1980, numa altura em que, à conta do icónico Highway to Hell, gozavam uma das fases de maior prosperidade. Segundo registos da altura, os músicos ponderaram a hipótese de colocar um ponto final no seu percurso mas, face às ideias que lhes iam saindo na sala de ensaios, decidiram arriscar, contratando Brian Johnson para o lugar vago atrás do microfone. Saíram da experiência mais adultos e sabidos, mostrando uma resiliência inabalável perante uma situação que teria feito muitas outras bandas atirarem a toalha ao chão. Isso ficou bem vincado ao longo dos anos: os AC/DC não brincam em serviço.

Lançado escassos cinco meses após a morte de Bon Scott, Back in Black transformou-se num enorme êxito e, durante as três décadas e meia que se seguiram, o clã não mais olhou para trás. Pelo caminho, mesmo com o ocasional acerto de formação, mantiveram-se sempre uma máquina muito bem oleada e transformaram-se paulatinamente no fenómeno que conhecemos. Crescer de forma sustentada permitiu-lhes manterem os pés da terra, estoicos representantes do rock puro e duro face a todas voltas e reviravoltas no seio da tendência. O exemplo da banda trabalhadora, com raízes na classe operária, que não se furta a uma rixa num bar.

Mas os últimos tempos não têm sido fáceis para os australianos, que começam a revelar as primeiras fissuras irreversíveis. Há dois anos Malcolm, o Young mais velho, a máquina de riffs que é o segredo por trás de «Whole Lotta Rosie», «Let There Be Rock» e todos os outros clássicos do grupo, foi forçado a abandonar o grupo devido à sua saúde frágil. Ainda nesse ano, Angus e companhia respondem com um novo álbum, Rock or Bust, gravado com Stevie Young no lugar do tio. Aparentemente refeitos e estáveis, começam a planear o regresso à estrada e tropeçam noutro contratempo quando o baterista Phil Rudd se vê subitamente envolvido num bizarro caso de polícia. A saída é a mais airosa possível, com Rudd a ser substituído por Chris Slade, o mesmo que gravara The Razors Edge em 90.

No entanto, nada nos poderia ter preparado, nem a nós nem a eles, para o afastamento do vocalista Brian Johnson, também por questões de saúde, a meio da Rock or Bust Tour. A surpresa transformouse rapidamente em consternação quando, poucas semanas depois, começaram a correr os primeiros rumores da contratação de Axl Rose, o controverso vocalista dos não menos icónicos Guns N' Roses e um personagem tudo menos consensual.

Depois, com o oficializar da situação, a consternação passou a indignação, ampliada pelas redes sociais. É impossível prever qual teria sido a reação ao lançamento de um novo álbum, com um novo vocalista, escassos meses após a morte de Bon Scott em 1980, mas em 2016 os AC/ DC viram-se pela primeira vez a braços com a ira da sua, até aqui sempre leal, base de seguidores. Não é difícil perceber porquê desde que tomaram de assalto, primeiro a Sunset Strip e depois o mundo, com o clássico Appetite for Desctruction, os Guns N' Roses, e principalmente o seu líder, transformaram-se na antítese da atitude terra a terra que sempre fez dos australianos uma banda adorada e respeita de forma unânime. No papel, e à primeira vista, a união entre dois mundos assim tão diferentes assemelhava-se a misturar água e azeite.

No passado dia 7 de Maio, os AC/DC retomaram a Rock or Bust Tour em Lisboa, com a estreia da fase featuring Axl Rose a acontecer no Passeio Marítimo de Algés. Debaixo de um temporal medonho, e mesmo com a banda a autorizar a devolução do valor total dos bilhetes aos que se recusaram dar uma oportunidade a esta formação «recauchutada», o recinto encheu. Mas até quando São Pedro não dá tréguas, Young e companhia teimam em continuar a contrariar as piores expectativas. Outra coisa não seria de esperar, de resto. Num momento decisivo como este, e, na altura, com o concerto de Lisboa a servir como único ponto de comparação para os que ainda estão para vir, os músicos não tinham outra opção se não dar o seu melhor. Foi precisamente o que fizeram, eles e Axl. Pela primeira vez em muito tempo, a não serem os músicos, ninguém sabia muito bem o que esperar de um concerto dos AC/DC... Só isso já seria suficiente para tornar a noite especial, mas à medida que as 21h00 se iam aproximando, tornava-se cada vez mais óbvio que, fosse um desastre ou uma vitória, esta seria uma noite épica. E única, porque o momento em que Axl Rose se transformou em vocalista dos AC/DC vai ficar para sempre marcado na história do rock'n'roll.

O quarteto não precisou sequer de muito tempo para provar a sua validade; ao fim das duas primeiras canções, o tema-título do álbum mais recente logo seguido por «Shoot to Thrill», já estava tudo a pôr as dúvidas de lado. Chris Slade é, como já se sabia, um baterista explosivo e, bem entrosado com Cliff Williams, ajudou muito a dar força a um quinteto que precisava de ter todos os cilindros a funcionar. Tão discreto como o seu tio, Stevie Young manteve um ritmo inabalável e Angus, como sempre, foi o endiabrado foco de todas as atenções. O que não é dizer pouco da alma dos AC/ DC, nem da forma como Axl Rose assumiu da forma mais modesta possível o papel de vocalista convidado.

Com todas as atenções concentradas em si, o Sr. GN' R, o megalómano com que ninguém consegue trabalhar, parecia ter ido buscar ao âmago a humildade do miúdo que, nos idos de 80, se mudou de Lafayette para Los Angeles. O registo vocal, tão característico, assentou como uma luva na música da banda, surpreendendo sobretudo como invocou o espírito do malogrado Bon Scott de uma forma que, verdade seja dita, Brian Johnson nunca conseguiu fazer.

Ao longo das duas horas em que esteve em palco, o «monstro» que, nos anos 90, fez birra no Estádio de Alvalade redimiu-se de uma vez por todas, desdobrando-se em elogios, desviando as atenções para Angus sempre que possível, soltando a piada ocasional e protagonizando um par de momentos em que deixou vir ao de cima a sua costela de fã dos AC/DC, partilhando algumas histórias que deixaram a multidão desarmada e enternecida. Mais velho, mais afável e mais discreto, talvez por ter de cantar sentado devido a uma lesão recente num pé, do alto do seu trono, Axl Rose mostrou-se à altura dos seus pares.

No final, não se ouviu uma única voz de descontentamento e, uma vez mais, provou-se que há bandas em que quase toda a gente é substituível. Enquanto Angus Young estiver vivo e apto a tocar, os AC/DC nunca vão deixar de ser os AC/DC. Dê lá por onde der.

O público do concerto dos AC/DC no Passeio Marítimo de Algés, a 7 de maio de 2016

O público do concerto dos AC/DC no Passeio Marítimo de Algés, a 7 de maio de 2016

Rita Carmo

15 DIAS EM LISBOA

Bastou que as primeiras notícias viessem a público para que os estúdios Nova Imagem, na zona da Expo, em Lisboa, se tornassem lugar de romaria para dezenas de fãs. Tânia Vaz Nunes, responsável pelo espaço, garante porém que os admiradores dos AC/DC e de Axl Rose, «portugueses mas também estrangeiros», não causaram qualquer distúrbio à porta do espaço onde os músicos passaram alguns dias a ensaiar para o arranque desta aguardada etapa da digressão. Só vieram colorir ainda mais uma experiência «muito agradável», conta Tânia Vaz Nunes, acrescentando que tanto os australianos como o seu vocalista convidado, a superestrela Axl Rose, «estiveram realmente com os fãs. Tiraram fotos, selfies, pediram autógrafos, fizeram perguntas.», enuncia, descrevendo uma situação da qual existem, no YouTube, alguns vídeos de fraca qualidade mas conteúdo elucidativo. Responsável pelo aluguer dos estúdios, a Everything is New, que organizou o espetáculo, certificouse que tudo correria pelo melhor, e a equipa de segurança contratada («não era nenhum batalhão de seguranças», ressalva) também se mostrou eficaz na manutenção da ordem. O entusiasmo de admiradores era, afinal, justificável: numa altura em que os «novos velhos» Guns N' Roses, com Slash e Duff McKagan, ainda não têm qualquer data confirmada para Portugal, a presença de Axl Rose em Lisboa não serviu só para deixar irritados os fãs mais fundamentalistas dos AC/DC também acordava paixões antigas pelo carismático vocalista que se ofereceu para cantar com os seus heróis.

Em Lisboa, Axl terá mantido uma rotina discreta. Além dos seus afazeres profissionais, que incluíram não só os ensaios como a gravação de um breve vídeo com Angus Young e Cliff Williams, a voz de «November Rain» foi visto a sair do restaurante Solar dos Nunes, em Alcântara, e participou ainda numa entrevista com os novos companheiros, dada ao semanário britânico NME.

Perante a onda de contestação por parte de muitos seguidores dos AC/ DC, os veteranos de Glasgow via Sydney contrataram um especialista em relações públicas Bernard Doherty, de cujo catálogo de clientes constam David Bowie ou Rolling Stones e também o fotógrafo londrino Roger Sargent, que veio até Portugal tirar as primeiras fotos oficiais desta estranha junção, a que muitos começaram a referir-se por Axl/DC.

Era importante mostrar que esta era uma aventura com pernas para andar, e para isso os australianos, habitualmente avessos a contactos com a imprensa, mostraram-se bem-dispostos com a jornalista do NME que veio a Lisboa entrevistá-los. Axl, fã dos AC/DC «desde miúdo», contou até que, nos verdes anos dos Guns, Slash chegou a ter uma namorada que ouvia os irmãos Young «24 horas por dia», e confessou que foi ele que se ofereceu para fazer as vezes de Brian Johnson, quando soube que este teria de se afastar. «Quando li a notícia, telefonei ao Opie, um tipo que trabalha na produção dos concertos dos Guns e dos AC/DC. Não no sentido de "quero participar!", mas de querer ajudar. Nem sabia que canções conseguiria cantar. Não sabia quais eram as datas. Mas entretanto soube que o Opie já tinha sugerido o meu nome!».

Na mesma entrevista, Angus Young, o «patrão» da banda, confessa que teve noção que não havia «uma solução fácil. E se parássemos esta máquina, íamos meternos em muitos sarilhos legais», acrescenta, referindo-se a uma digressão que deverá render-lhes 50 milhões de euros. Angus já vira, «na internet», as imagens de um mui jovem Axl a cantar «Whole Lot of Rosie», e pensou: «é um bom começo!». Nesta conversa descontraída, o homem dos Guns sublinha que, apesar de entusiasmado com o novo «emprego», está consciente da situação complicada de Brian Johnson, e reconhece até que as canções de Back in Black, o primeiro disco com aquele cantor, são as «mais desafiantes».

Curiosamente, alguma da imprensa internacional concordou que Axl soou especialmente confortável nas canções da era Bon Scott, escrevendo o Guardian que o cinquentão devolveu aos AC/DC alguma da sua «misantropia e da ameaça». Para Fraser Lewry, da Metal Hammer, ouvido pela BLITZ, «a personalidade do Axl veio mais ao de cima nas canções do Bon Scott. As canções do Brian são complicadas, tecnicamente, por isso ele concentrou-se em cantá-las bem, ao passo que nas outras estava mais descontraído». Para este jornalista, Axl trouxe uma certa confiança («swagger») que Brian Johnson «nunca teve realmente. O Brian era sempre o Brian, mesmo quando fazia de Bon».

Para Kevin Raub, que cobriu o concerto para a Billboard, «é complicado parecer ameaçador sentado naquilo que é praticamente uma cadeira de rodas! Mas sem dúvida que o Axl é mais ameaçador que o Brian Johnson». Quer o repórter da Metal Hammer quer o da Billboard acabaram rendidos à prestação de Mr. Rose. «Muito do que se dizia online sobre ele não ser uma boa escolha tinha a ver com a sua personalidade, mais do que com a voz», acredita Lewry. «Mas se ele for só um substituto, a personalidade não importa.

Só tinha que aparecer a horas e acertar nas notas mais agudas, e nós sabíamos que ele conseguia fazer isso. Eu tinha o pressentimento que o Angus ia garantir que tudo corria bem», diz, aludindo à mão de ferro do grande chefe da banda. Para o britânico, muitos fãs recusam-se a admitir que a voz de Brian Johnson já não era, nos últimos concertos, aquilo que em tempos foi. «No começo da digressão Rock or Bust, e na do Black Ice, achei que ele estava aquém do que era hábito, e é normal tem 68 anos, e ser o Brian Johnson durante duas horas por noite seria duro para qualquer pessoa. O que vimos [em Algés] passa pela diferença de idades: o Axl é 14 anos mais novo, e notou-se».

Sobre o caráter histórico do concerto de 7 de maio, Lewry prevê: «se daqui a 20 anos disserem aos vossos filhos que tinham bilhete para ver o Axl Rose a cantar com os AC/DC e que o venderam, eles terão todo o direito a olhar para vocês como se fossem malucos. Quer gostemos do Axl ou não, era uma oportunidade de ver algo histórico». Curiosamente, um dos primeiros concertos a que este jornalista assistiu revestiu-se de circunstâncias semelhantes: «vi os Black Sabbath com o Ian Gillan na voz, e foi muito parecido. A diferença é que já tinham gravado um álbum juntos, mas ninguém o tinha ouvido cantar as canções do Ozzy [Osbourne] ou do [Ronnie James] Dio, então também havia aquela expectativa e incerteza, ainda que o Gillan não tivesse a reputação do Axl de fazer birras e chegar tarde».

Sobre a possibilidade de o homem que indignou Alvalade estar a tentar limpar a sua reputação, o inglês é pragmático: «para muitos homens, crescer significa sair de casa e portarem-se como parvos durante uns anos. Se tiveres uma banda, podes ser parvo durante mais tempo. Ele agora tem 54 anos, se calhar está só a comportar-se em consonância com a idade que tem».

Norte-americano a viver em Portugal há poucos meses, Kevin Raub nunca duvidou que Axl fosse «a escolha perfeita» para substituir Brian Johnson. «É um cantor rock fantástico com uma versatilidade fabulosa. Não me lembro de outro cantor que pudesse fazer um trabalho melhor. Grande parte alguns dirão mesmo que a totalidade dos AC/DC tem a ver com o Angus e a música, e não com a voz», argumenta ainda. «Posso dizer-vos que o Axl soou melhor com os AC/DC, agora, do que na última vez que o vi com os Guns N' Roses, no Rock in Rio Brasil, em 2001».

Ainda que acredite que, tal como escreveu a Rolling Stone, estes Axl/DC poderão ser um dos sucessos de estrada do próximo verão, Raub defende que os AC/DC deveriam arrumar as botas no final da digressão. «Chegou a altura de se reformarem. Desistam e parem enquanto estão por cima. Se fosse eu, acabava estas datas e depois dava um concerto de despedida em Sydney, com o Brian Johnson. Não podem deixar que os últimos concertos de AC/DC sejam com o Axl. Seria inaceitável, por muito bom trabalho que ele faça».

Menos entusiasta revelou-se Jesse Fink, autor do livro The Youngs: The Brothers Who Built AC/DC, que a BLITZ citou no seu artigo de capa do mês passado e agora contactou. «Não gosto da forma de o Axl cantar. Penso que é uma escolha errada, mas cada um com o seu gosto. Também não me parece que seja surpresa alguma ele conseguir cantar as pessoas parecem ter ficado espantadas com isso», desabafa. «Mas essa não é a questão. Os AC/DC deviam muito mais ao Brian Johnson, pelos seus 36 anos na banda; não deviam ter continuado como se nada tivesse acontecido. É por isso que esta saga aborreceu tanto os fãs. Muitos decidiram abandonar a banda», garante. «Isto já não são os AC/DC. É AC/Karaoke. Mas força, divirtam-se, gastem o vosso dinheiro se quiserem. A meu ver, os AC/DC existiram entre 1975 e 1980, quando o Bon estava na banda. Esses eram os verdadeiros AC/DC».

Sob mais elogios do que críticas a numerosa imprensa internacional que acorreu a Lisboa aplaudiu sobretudo a inesperada «humildade» de Axl, assim como a eterna jovialidade de Angus Young, este super-grupo que, como escreveu a Rolling Stone, conseguiu não ser «um Batman v Superman do hard rock», seguiu viagem para Sevilha, para um concerto aclamado pelas mesmas razões (e fustigado pela chuva). Desde então, Axl já usou o Twitter para prometer aos fãs portugueses um concerto de Guns N' Roses por cá e o seu profissionalismo parece ter acalmado os detratores mais inflamados (se «palhaço» era o mais simpático que líamos sobre a sua figura antes do concerto, no pós-espetáculo a «temperatura» mudou e sucederam-se os comentários como «respect»). E não esqueçamos que, em breve, o «novato» dos AC/DC deverá retomar a sua mobilidade, ganhando um novo protagonismo em palco. «Ele esteve muito bem, mesmo sentado no trono», disse Zé Pedro, dos Xutos & Pontapés, ao Diário de Notícias. «Tem um carisma muito grande. Se sentado foi assim, de pé não se sabe o que poderia acontecer!».

Texto: Lia Pereira e José Miguel Rodrigues

Originalmente publicado na BLITZ de junho de 2016