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Debaixo da Língua n' O Sol da Caparica: “No Brasil, a música é igual ao suor da pele, é inerente a todo o mundo” explica Xandão (O Rappa)

A propósito de mais uma edição do festival Sol da Caparica, Rui Miguel Abreu volta a puxar pela língua de uma série de artistas que fazem música com as as palavras que todos entendemos

Alexandre “Xandão” Menezes é guitarrista e agitador d’O Rappa, projecto brasileiro onde o rap, o reggae o rock se cruzam para sustentar hinos que se inspiram na realidade das ruas da Cidade Maravilhosa há mais de duas décadas.

Para o arranque da conversa, o mote é dado por José Mário Branco que em tempos garantiu que a cantiga pode ser uma arma. Nestes dias de combate político e social no Brasil, qual o papel da música? “Tenho a certeza que sim, que a canção pode ser uma arma poderosa, e vejo muito disso no Brasil”, começa por anuir Xandão.

“É um país com uma cultura riquíssima e a música é praticamente igual ao suor da pele, é inerente a todo o mundo. Por outro lado, isso também me preocupa porque não gostaria que a saída para os jovens se limitasse à música, gostaria que também fosse a educação, que se transformassem em bons advogados e doutores. Vejo que a grande maioria dos projectos, especialmente sociais, são muito ligados à música. Deveríamos ter um pouco mais de preocupação em fornecer aos jovens uma outra. No Brasil a escolha é muito fácil: jogam futebol ou fazem música. Isso nasce com cada cidadão aqui”.

Claro que quem nasce Chico Buarque pode fazer as duas coisas... “(Risos) Ou faz as duas coisas, certo”, concorda Xandão. “A grande maioria até diria isso, mas não quero ser muito pretensioso”.