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Protomartyr foram os National do punk no NOS Primavera Sound

Quarteto de Detroit deu um concerto abrasivo no palco Pitchfork e assume-se, desde já, como uma das revelações do festival

À meia-noite em ponto, quando o quarteto de Detroit entrou em palco, eram poucas as pessoas que se encontravam no Palco Pitchfork à sua espera. Paulatinamente, a tenda foi-se preenchendo e a música também teve a sua quota-parte de responsabilidade na adesão.

As canções dos Protomartyr - fundados em 2008 e com três álbuns no percurso - são curtas, cortantes e diretas ao assunto. Ou se encostam ao pós-punk espinhoso, ou se aproximam de uns National mais desbragados e noisy ou se entregam, pura e simplesmente, ao punk mais cru.

Joe Casey, vestido para um compromisso menos rock and roll, é uma espécie de Matt Berninger do punk, na forma como se entrega ao domínio do microfone, anti-estrela rock na ausência de tiques, maneirismos ou estratégias de convencimento. Coloca a cabeça de lado à moda de um Johnny Rotten domesticado, canta em registo quase falado (lembramo-nos de Art Brut), beberica da lata quando não é requisitado. A execução musical, digamos assim, não é com ele: está a cargo de um baixista de cabelos longos que parece vindo da música mais bojuda, um baterista confiável e um guitarrista que domina as extensões da arte pós-punk.

Música atrás de música, descarga curta atrás de descarga curta, e uma entrega inatacável, os Protomartyr veem-se com uma tenda quase cheia e merecem-no. Um óptimo concerto de uma banda-revelação.