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NOS Primavera Sound: Cate Le Bon não viu o País de Gales ganhar, tinha um concerto para dar

Ela não é só uma cantora e compositora de gabarito, é também alguém que quer chegar ao rock pelo caminho mais longo. Uma inspiração no soalheiro Palco . (antigo ATP) no festival do Porto, à mesma hora que o País de Gales natal da artista ganhava no Europeu

Ainda não são seis da tarde e o palco antigamente curado pela All Tomorrow’s Parties não regista propriamente assistência de encher o olho. Alguns procuram os lugares de sombra para “abancar” como num piquenique, outros – como o escriba – chega-se bem perto do palco para – também ele – evitar o sol que lhe tolda a visão. Entre gente sentada e gente de pé, joga-se uma partida de rock enviesado, às vezes um pouco complicado, mas tecido pelos instrumentos da praxe (Le Bon, simples vestido preto, manipulando a sua guitarra umas vezes com fervor, a maior parte do tempo como se lhe quisesse sacar uma tremenda novidade).

Cate Le Bon não viu Gareth Bale e companhia a levarem de vencida a Eslováquia no segundo dia do Europeu de Futebol. Tinha um concerto para dar. E o que aqui se viu foi a confirmação de que a travessia de quatro álbuns da artista de 33 anos não foi obra de somenos: em Mug Museum (2013) e Crab Day (2016), sobretudo nestes, desvenda-se uma cantora que, vocalmente, evoca a "distância" de Nico, e instrumentalmente se debruça numa espécie de folk fragmentada, puzzle de peças aparentemente desconexas que se encaixam aparentemente sem esforço.

“Wonderful” e “Crab Day”, os momentos quase-pop do último álbum são apresentados no início; para o fim fica a fabulosa “I Can’t Help You”, riff harmonioso a perdurar na cabeça de todos os que abandonam o verde prado do palco mais aventureiro do festival e rumam a outras paragens. Havemos de voltar a ver-nos.