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Algiers intrigam o público no NOS Primavera Sound

A banda de Atlanta estreou-se em Portugal com um concerto intrigante q.b.

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Antes mesmo de começarmos a ouvir a sua música, os Algiers afiguram-se-nos como uma banda diferente: na voz temos Franklin James Fisher, um soulman moderno, de camisa branca que há de ensopar em suor, com o decorrer do concerto. A seu lado, no baixo e nas programações, Ryan Mahan é toda uma personagem, teatralizando na íntegra várias das canções, como quem traduz palavras por gestos. Lee Tesche, o guitarrista, tem um visual hipster, e o baterista que hoje os acompanha parece saído de uma banda de metal. Que música esperar daqui?

Algiers, o primeiro álbum da banda do mesmo nome, saiu no ano passado e cativou a atenção de alguma imprensa especializada. Quando chegamos ao palco Super Bock, é o carisma de Fisher que começa por nos prender, e remeter para o som denso de uns TV on the Radio. Rapidamente as pantominices do seu sidekick, Ray Mahan, acabam por desviar as atenções, até que canções como "Remains" mostram as suas garras e levam o público a acompanhar a música com palmas.

"Ao menos têm energia", suspira alguém ao nosso lado, descrevendo o dia de ontem como "muito morto". Energia, atitude e ideias têm, de facto, os Algiers, que em "Old Girl", "But She Was Not Flying" ou "Blood" - temas entrecortados por gravações de discursos sobre questões raciais - cativam progressivamente a atenção do muito público reunido naquela colina, ao fim da tarde.

O momento que mais nos impressionou, contudo, foi "Games", que Franklin James Fisher cantou e tocou praticamente só à guitarra elétrica, com toda a emoção e estilo (parafraseando a velhinha canção dos Belle Chase Hotel).

Talvez ainda não tenham conseguido moldar a tal energia de que falava a espectadora em canções tão memoráveis como a sua presença, mas acabaram por dar um dos concertos mais curiosos do festival.