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Debaixo da Língua no Sol da Caparica: “Sempre fui adepto das novas tecnologias”, admite Boss Ac

A propósito de mais uma edição do festival Sol da Caparica, Rui Miguel Abreu volta a puxar pela língua de uma série de artistas que fazem música com as as palavras que todos entendemos

Ainda recentemente o ouvimos ao lado de Carlão a criar a música do genérico do programa-sensação da SIC E se Fosse Consigo. Para Boss AC as palavras serviram sempre para agitar. E como é que se fixam? “Sempre fui um adepto das novas tecnologias”, começa por nos confessar. “Hoje não saberia funcionar sem o telemóvel porque muitas vezes tenho pequenas ideias que gravo logo ou palavras que me surgem que escrevo no bloco de notas do telefone e esses pequenos fragmentos muitas vezes acabam em músicas”.

Um exemplo? “O processo de criação é muito volátil, posso passar horas no estúdio sem que nada aconteça e depois pode surgir uma rajada numa hora e algo acontece: há uns meses lembro-me de estar aqui fechado no estúdio, não estava a sair nada e fui para casa frustrado. Mas não sei bem porquê, assim que entrei no carro – estava a ouvir um beat que tinha feito – comecei a cantarolar e tive que parar numa bomba de gasolina porque assim do nada surgiu-me uma letra inteira que escrevi no telemóvel. Algo que nunca tinha feito. E a verdade é que já não me acontece muito meter caneta no papel. Cada vez escrevo mais no computador”, admite o rapper da velha escola que afinal soube acompanhar os tempos.

“Há uns dias pus-me a pensar e acho que a ferramenta com que escrevemos também condiciona o que escrevemos e como escrevemos. Talvez pela facilidade de edição, de poder cortar e colar, isso abre o campo das possibilidades e isso faz-me sentir muitas diferenças em relação ao tempo em que escrevia rimas inteiras com caneta no papel. A escrita sai diferente”.