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Cass McCombs traz rock cascavel ao fim de tarde sentado do NOS Primavera Sound

O norte-americano veio, com a sua banda, pintar com todas as delongas as paisagens sonoras do seu país natal

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

"E faz 50 anos, o álbum...", diz um espectador do concerto de Cass McCombs, já com a cabeça no senhor que se seguirá no palco NOS, Brian Wilson. "Sim, claro que é super influente... mas depois entra a questão dos gostos", responde, diplomático, o amigo de t-shirt de Unknown Pleasures e copo de cerveja reciclável. Mais atrás, uma senhora explica que o concerto de Sigur Rós não lhe "bateu" por não estar "nem bêbeda nem ganzada". A atenção da plateia encontrava-se assim, pelas 18h, algo dispersa, mas alguns fiéis acompanharam com atenção a atuação que se desenrolava em palco: McCombs, cantor, compositor e guitarrista, é um frontman muito discreto, liderando sem qualquer protagonismo uma banda com bateria, baixo e teclados. Lá atrás, (pouco) tapada pele baterista do norte-americano, está uma outra, ornamentada com o logo de Pet Sounds, o disco que Mr. Wilson virá recordar, neste mesmo palco, daqui a nada. E a atenção a fugir outra vez.

Em disco, Cass McCombs é tão nómada como um trajeto de vida que já o fez picar o ponto em vários estados norte-americanos. Esta tarde, no maior palco do NOS Primavera Sound, o arranque foi promissoramente rock; com os músicos bem próximos uns dos outros e dos espectadores, o que se ouviu foi um certo hiponotismo elétrico sem hora marcada para chegar à meta, o que então soou sedutor q.b. À medida que as canções se foram sucedendo, e pelo Parque da Cidade voaram "Opposite House", "Dreams Come True Girl" ou "Morning Star", a banda embarcou antes num certo modo jam, com longos solos e zero pressa. Mesmo em "County Line", belíssima ode à languidez, do álbum de 2011, Wit's End, o apelo é mais à preguiça do que à participação. A canção espraia-se pela planície de gente sentada, e até deitada, onde pululam as t-shirts de Beach Boys e Pet Sounds, e deixa um sabor delicado, mas algo esbatido, na memória da plateia, quando McCombs e amigos se despedem com votos de "peace".