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A primeira guitarrista “badass” da história: conheça a madrinha do rock n' roll

Sister Rosetta Tharpe foi uma das principais influências de gente como Elvis Presley, Little Richard e Chuck Berry

Ainda que seja visto, em larga escala, como um género musical "para homens", o rock nasceu pelas mãos de uma mulher. Nomeadamente, das mãos de Sister Rosetta Tharpe, uma mulher negra nascida no estado norte-americano do Arkansas no ido ano de 1915.

Considerada por muitos como "a madrinha do rock n' roll", Tharpe pode não ter tido o mesmo sucesso e o mesmo legado de nomes como Elvis Presley, Chuck Berry e Little Richard - apesar de ter sido, para todos eles, uma grande influência.

Criada no seio de uma família religiosa, Sister Rosetta Tharpe desde cedo mostrou uma grande aptidão para a música, inspirada pela sua mãe, Katie Nubin, que cantava e tocava bandolim numa igreja de Cotton Plant, onde nasceu. O seu apelido fou "roubado" ao primeiro marido, de quem se divorciou passado alguns anos.

Foi aos 23 anos que Tharpe alcançou algum sucesso, assinando pela Decca Records e editando quatro singles: "Rock Me", "That's All", "My Man And I" e "The Lonesome Road", acompanhada por uma orquestra jazz.

Contudo, foi uma versão de "This Train", canção gospel tradicional, que lhe valeu um maior reconhecimento não só dos seus pares como também das audiências brancas e seculares da época. Em 1944 editou "Strange Things Happening Every Day", que alcançou o segundo lugar da tabela da Billboard para os chamados race records - nome pelo qual era então conhecida a música geralmente destinada ao público negro.

Após perder alguma popularidade, o que não a impediu de andar em digressão pela Europa na companhia de nomes como Muddy Waters e Otis Spann, Tharpe acabaria por morrer em 1973, aos 58 anos.

Para a história ficou a sua maneira agressiva de tocar guitarra, a sua busca por uma audiência que não fosse exclusivamente negra e, até, os rumores de que seria bissexual. Já o seu legado merece validação; foi Tharpe quem abriu caminho a uma multidão de mulheres no rock n' roll, para além de ter ajudado a definir o género em si. Os pais serão sempre importantes, mas as madrinhas também merecem respeito.