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Debaixo da língua n' O Sol da Caparica: “A palavra dá à música uma dimensão mais grave, mais explosiva”, defende Adolfo Luxúria Canibal

A propósito de mais uma edição do festival Sol da Caparica, Rui Miguel Abreu volta a puxar pela língua de uma série de artistas que fazem música com as as palavras que todos entendemos

Quando se pensa na força da palavra, no potencial de choque que uma letra pode ter no âmbito de uma canção é quase sempre inevitável ir dar à obra dos bracarenses Mão Morta, veteranos na arte de injectar electricidade na poesia. Ou vice versa.

Adolfo Luxúria Canibal explica o que pensa sobre essa delicada relação que as palavras e a música há tanto tempo mantêm: “A ligação entre a música e a palavra não é unívoca​, é mais complexo do que isso. A música pode anular a palavra - e não me refiro a uma anulação física, tornando-a inaudível ou imperceptível, mas a uma anulação por distracção ou desarmamento da sua potência, tornando-a inócua ou superficial ou mesmo ridícula - como também a pode potenciar, dando-lhe uma força, um significado ou uma profundidade que à partida não tinha".

Mas o contrário também se verifica: “a palavra pode banalizar a música, ou mesmo deixá-la sem graça ou semanticamente foleira, ou dar-lhe uma outra dimensão, mais grave, mais explosiva, mais furibunda ou mais etérea ou onírica. Nos Mão Morta tentamos que haja um equilíbrio, com a música a potenciar a palavra e a palavra a potenciar a música - se o conseguimos ou não, isso é outra coisa, já da esfera da crítica, ou mais especificamente da auto-crítica”.