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O nome dele era Prince: o incrível percurso de um artista livre e transgressor

Na BLITZ deste mês, Jorge Lopes percorre um trilho que levou a música afro-americana a Deus e às zonas erógenas em partes iguais

O estado do Louisiana, no extremo sul dos EUA, é fustigado anualmente por umas 60 tempestades e 27 tornados, e não consta que a média tenha sido abalada quando John Lewis Nelson abalou para o Minnesota. O estado do Minnesota, no extremo norte, também é fustigado anualmente por 27 tornados, mas os dias de tempestade ficam-se entre os 30 e os 40 no mesmo período de tempo. Tanta eletricidade no ar podia dar bom resultado e deu. As temperaturas lá em cima é que são mais complicadas: nas Twin Cities, a larga área metropolitana formada por Mineápolis e Saint Paul, janeiro anda em média pelos 13 graus negativos e julho pelos 28 positivos.

John Nelson fugiu do racismo sulista depois da II Guerra Mundial e foi para o frio. Tocava piano e compunha (uma espécie de jazz, aparentemente), mas a vida como líder do Prince Rogers Trio não pagava todas as contas, sobretudo com quatro filhos para alimentar. Em 1955, ele e Mattie Shaw dão o nó. As raízes familiares de Mattie, 17 anos mais nova que o marido, também estão no Louisiana, e os seus dotes de cantora ajudaram ao desenlace matrimonial.

Tantos antecedentes musicais acabariam sempre por chegar a Prince Rogers Nelson, o primeiro de três filhos de Mattie e John, nascido a 7 de junho de 1958. O primeiro instrumento que dominou foi o piano do pai, onde também escreveria a sua primeira canção. Quando chegou à maioridade já dominava para lá de duas dúzias de instrumentos, caprichava no basquetebol e irradiava engenho a partir do centro de um bando de amigos, da escola e não só, com jeito para a música. Como André Cymone, cuja família acolhia Prince desde os dez anos, quando John e Mattie se divorciaram (André seria o baixista nas primeiras investidas de Prince pelos palcos). E também Jimmy Jam e Terry Lewis, futuros produtores e reinventores do R&B nos anos 1980. Mais Alexander O’Neal e Morris Day, que se sucederiam como vocalistas de The Time, coletivo fantasioso também com Jam, Lewis e Jellybean Johnson, outro cúmplice dos primeiros atos. Uma galáxia de jovens músicos negros numa região esmagadoramente branca; um concentrado de talento de assombrar que dava os primeiros passos na renovação radical do disco-funk num meio dominado pelo rock (a que o team Prince não era, de todo, impermeável).

Leia o artigo completo na BLITZ de junho, já nas bancas. Saiba mais sobre esta edição.

A BLITZ de junho, com Prince na capa, já nas bancas

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