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Taylor Swift, a menina bonita dos neo-nazis. Como?

Vários websites norte-americanos, conotados com a extrema-direita, escolheram a cantora pop como um modelo a seguir

Taylor Swift não tem, nem nunca mostrou ter, qualquer afinidade pela ideologia neo-nazi. Mas isso não tem impedido alguns grupos de extrema-direita norte-americanos de a verem como "uma deusa ariana".

É o caso dos utilizadores do website The Daily Stormer, fundado em 2013 pelo supremacista branco Andrew Anglin. O website em questão, que difunde mensagens nacional-socialistas sob um formato humorístico, recorrendo muitas vezes a memes, tornou-se conhecido após ser revelado que Dylann Roof, um jovem neo-nazi que matou nove pessoas em 2015, era frequentador do mesmo.

O fascínio neo-nazi por Swift terá começado em 2013, com a popularidade de um meme, disseminado através da rede social Pinterest, em que citações de Adolf Hitler eram coladas a imagens de Taylor Swift, como se tivesse sido a cantora a autora das frases. Na altura, o management da cantora requisitou que estas imagens fossem apagadas, o que não sucedeu.

Para Anglin, Taylor Swift é "uma deusa ariana pura, algo saído da poesia clássica grega", afirmou numa entrevista à Vice norte-americana. O colunista conservador Milo Yiannopoulos explicou, no website Breitbart, o apelo de Swift para aqueles que se situam politicamente à direita: "[estes] crêem que ela esconde, secretamente, os seus valores conservadores de uma indústria musical progressista, enquanto transmite sinais subtis aos fãs mais reaccionários".

Não apenas isso, como a própria figura de Swift alimenta o fascínio - sendo loura, caucasiana, e recusando-se a falar sobre política. O facto de ter sido criticada nos últimos tempos relativamente a questões raciais, nomeadamente com o vídeo de "Wildest Dreams", em que foi acusada de "fantasiar o colonialismo", também contribui para tal (no Daily Stormer, este caso foi noticiado como "deusa ariana Taylor Swift acusada de racismo por se comportar como um macaco").

Comparando-a a outras celebridades, como Kim Kardashian ou Miley Cyrus, Andrew Anglin diz-se "incrédulo" com o facto de Swift "estar rodeada de judeus asquerosos e, mesmo assim, conseguir emanar a sua pureza e inocência". "É a anti-Miley", contou.

Escrevendo para o magazine Slate, Heather Schwedel afirma que "será seguro dizer que Taylor Swift não é nazi", acrescentando contudo que "é preciso muito engenho para alguém se tornar numa marca milionária, o mesmo engenho que poderia fazer de alguém um tirano". No fundo, "não há qualquer diferença entre vender música pop e vender uma ideologia fascista: é tudo propaganda", conclui. Quanto à cantora, ainda não abordou esta situação.