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Debaixo da língua n' O Sol da Caparica: “Ainda sugeri um fado para a Amália chamado 'A Casa dos Mariquinhas'”, revela Rui Reininho

A propósito de mais uma edição do festival Sol da Caparica, Rui Miguel Abreu volta a puxar pela língua de uma série de artistas que fazem música com as as palavras que todos entendemos

Rui Reininho teve sempre uma língua mordaz, uma capacidade aparentemente inesgotável para trocadilhos inteligentes e uma forma muito descomplexada de lidar com o português, atributos que fizeram do seu cancioneiro com os GNR um dos mais imaginativos da pop portuguesa. “No tema ‘Dupont & Dupond’, do Independança, cantava “Ele canta mal e está na capital’ e havia quem me perguntasse se era uma boca ao Rui Pregal da Cunha ao que eu respondia que não, que considerava o Rui uma excelente pessoa – tal como continuo a considerar – e um óptimo gourmet”, recorda o vocalista dos GNR.

“As palavras”, garante Rui Reininho, “podem ser pontiagudas: eu nunca fiquei bem na fotografia ao lado dos Isidros ou com a malta do Festival da Canção. Fui sempre um bocadinho incómodo porque fui sempre sincero e por outro lado a parte social nunca me chamou a atenção. O que até foi pena: a dada altura, por exemplo, dentro da editora chegou-se a falar na hipótese, que não avançou por minha causa, de eu escrever para a Amália Rodrigues. Foi numa altura em que havia uma certa desorientação em relação ao reportório dela – ‘O Sr. Extraterrestre’ era uma coisa um bocado esquisita. E depois pensando na ‘Casa da Mariquinhas’ ainda sugeri ‘só se eu fizer a Casa dos Mariquinhas’, até porque tinha ido ao Trumps. Acho que foi aí que decidiram que era melhor esquecer a ideia...” Nunca saberemos, portanto, como soaria um fado de Rui Reininho cantado por Amália. “Fui-me escapando dessa maneira”, explica o cantor, dando a entender que o caminho que seguiu foi sempre o que quis seguir e nunca o que lhe pudessem ter sugerido ou imposto.