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AC/DC ambiente no Passeio Marítimo de Algés

Rita Carmo

Imprensa internacional louva “humildade” de Axl Rose no “histórico” concerto dos AC/DC em Portugal

Numerosos meios de comunicação internacionais estiveram no Passeio Marítimo de Algés, a assistir à estreia de Axl Rose como vocalista dos AC/DC. E aprovaram

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

O concerto dos AC/DC com Axl Rose como vocalista convidado, no passado sábado em Algés, atraiu a curiosidade da imprensa internacional, que acorreu em bom número ao espetáculo, escrevendo sobre o mesmo em publicações como Rolling Stone, The Guardian ou Billboard.

O veredicto foi invariavelmente positivo, destacando a maior parte dos repórteres a prestação de Axl Rose, convidado para substituir Brian Johnson e muito contestado pelos fãs dos históricos AC/DC.

A Billboard começou por referir o mau tempo que se abateu sobre Oeiras ("Será que os deuses se recusavam a aceitar este impostor à frente de uma das bandas rock mais rock de sempre?") e brincar com a inusitada pontualidade de Axl Rose ("deve ter precisado de pôr o despertador"), referindo todas as vicissitudes que os AC/DC já ultrapassaram.

"Ouvir Rose contar histórias sobre os AC/DC soa errado, mas estar fora do seu elemento pareceu ser bom para o cantor, famoso pelo seu comportamento egocêntrico", escreve a Billboard. "A sua conversa entre as canções foi amorosa, quase que diríamos humilde", apontam, contando que em "You Shook Me All Night Long" o norte-americano até arriscou substituir a deixa "american thighs" por "portuguese thighs".

A Billboard acaba por concluir que, ainda que muitos fãs considerem que o resultado da colaboração soa a Guns N' Roses fazendo versões de AC/DC, "sempre é melhor do que receber o reembolso dos bilhetes".

Também impressionado ficou o britânico Guardian, que classificou com cinco estrelas o concerto de sábado.

"A chegada de Rose faz deste concerto dos AC/DC o primeiro em muitos anos - desde que Johnson substituiu o malogrado Bon Scott, em 1980 - do qual ninguém sabe o que esperar. O seu triunfo reside em ser exatamente o que se podia esperar, mas melhor do que nos atrevíamos a imaginar".

Para o Guardian, Axl Rose devolve aos AC/DC algum do cariz ameaçador de Bon Scott. "Enquanto o material da era de [Brian] Johnson tendia para a bonomia com os copos, Scott era frequentes vezes um letrista e cantor malévolo e misantropo, escondendo uma raiva vagamente assustadora atrás de um aparente bom humor. Rose, que conhece bem quer a malevolência quer o misantropismo, interpreta aquelas canções na perfeição, dando-lhes uma nova ameaça (...). Também a sua voz está brilhante: chega a todas as notas, mesmo as mais agudas, e aguenta esse registo durante duas horas".

O Guardian acredita que Axl parece mais confiante nas canções originalmente cantadas por Bon Scott, soando "um pouco fiel demais" nas de Brian Johnson.

Também em Algés esteve a norte-americana Rolling Stone, que elogiou a presença "agradável e humilde" de Axl Rose, bem como a sua voz em "ótima forma".

"Rose pareceu especialmente confortável nos clássicos da era Bon Scott, como 'Dirty Deeds Done Dirt Cheap' e 'High Voltage', e feliz por entregar o protagonismo ao espetáculo de Angus Young. Quando voltar a andar - e não deve ser daqui a muito tempo, porque entre encores já caminhou - essa dinâmica poderá mudar, mas por enquanto Young fez o trabalho mais pesado, deixando Rose divertir-se", escreve a Rolling Stone.

Para a publicação norte-americana, esta mistura de "super marcas de rock clássico evitou ser o Batman v Superman do hard rock (ou seja, vistoso mas sem conteúdo). Na verdade, o espetáculo de Lisboa mostrou que esta nova união tem potencial para se tornar um dos êxitos de estrada deste verão".

Por seu turno, o britânico Daily Telegraph destacou "a plateia do tamanho de um estádio de futebol" do Passeio Marítimo de Algés e o "derradeiro showman" que é, aos 61 anos, Angus Young, bem como o papel de Axl Rose, "a humildade em pessoa (...). Enquanto primeira pessoa, além de Johnson, a cantar nos AC/DC desde a morte de Bon Scott em 1980, fez um ótimo trabalho".

Dentro da imprensa mais especializada, a Metal Hammer considera que a estreia dos AC/DC com Axl Rose foi mais uma vitória dos australianos sobre a adversidade.

Lembrando que, depois da morte de Bon Scott, os australianos continuaram a gravar e atuar ao vivo, aquela revista levanta uma questão curiosa: "Como teriam reagido as redes sociais modernas àquela transição que, a esta distância, parece ter sido feita com uma pressa quase indecente. Certamente que teriam chovido acusações de ganância e falta de respeito".

Sobre o concerto de Oeiras, escreve a Metal Hammer: "Numa indústria que vive da hipérbole, [esta noite] é genuinamente histórica e ninguém sabe o que esperar. Pode correr muito mal. Pode ser elétrico. E estes 50 mil fãs em Portugal estão prestes a descobrir a resposta".

Para esta publicação, Axl Rose mostrou-se confiante. "Quando 'Hells Bells' chega ao seu clímax, está a gritar tanto que tememos que a sua garganta vá explodir e saia a voar pelo seu chapéu de couro. [Axl oferece] uma performance incrível e parece estar realmente a divertir-se".

"Os AC/DC soam aos AC/DC. Cliff e Chris e Stevie são o motor, Angus rodopia, faz piruetas e duckwalk (...) e tudo resulta como devia".

Sobre a postura de Axl, acrescentam ainda: "Será que este é um novo Axl, um Axl humilde, pronto para emprestar uma nova vida a uma banda a envelhecer, enquanto trabalha na sua própria redenção? Por esta amostra, parece que pode mesmo funcionar. E fez isto tudo da sua cadeira".