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Rita Carmo

AC/DC em Portugal: assim foi em 2009, no Estádio de Alvalade

De volta ao nosso país em 2016, os australianos deram um concerto memorável há sete anos, em Lisboa. Recorde aqui a reportagem e as fotos.

Era, sem qualquer dúvida, um dos concertos mais aguardados do ano e os AC/DC cumpriram a promessa de que iriam protagonizar uma noite memorável a todos aqueles que acorreram em massa ao Estádio Alvalade XXI. É certo que o recinto não estava totalmente esgotado, mas estava muito perto disso. E, observando a expressão de satisfação espelhada na cara de todos aqueles que se acotovelavam à espera de um transporte que os levasse de volta a casa na zona do Campo Grande, era fácil perceber que ninguém deu o seu dinheiro por mal empregue. Com o novo Black Ice na bagagem, o lendário grupo australiano liderado pelos irmãos Angus e Malcolm Young subiu a um palco de dimensões gigantescas - uma estrutura de 78 metros, ladeada por dois ecrãs, que demorou quatro dias a montar. Os AC/DC já não podem tocar em recintos pequenos há muitos anos, mas conseguem transportar para um estádio a energia crua de uma banda que está a actuar numa sala pequena e para uma audiência suada. 34 anos depois de terem lançado o primeiro álbum, mantêm-se iguais a si próprios e isso ninguém pode negar. A produção por detrás de um espectáculo destes é enorme, mas os músicos mantêm-se fiéis ao que sempre foram - uma banda de, puro e duro, rock'n'roll. Durante os, aproximadamente, 135 minutos que durou a actuação não houve mudanças desnecessárias de instrumentos ou indumentária... o que houve, isso sim, foi uma enorme descarga de energia contagiante que tocou todos os presentes.

Às 21:40, mais uma vez em ponto, soam através das gigantescas colunas do P.A. os acordes iniciais de "Rock'n'Roll Train", o primeiro single de apresentação ao último álbum dos AC/DC.

Nos ecrãs, numa animação colorida e movimentada, Angus Young e os seus companheiros fogem figurativamente de uma locomotiva descontrolada que, alguns minutos depois, acaba por "embater" na parte de trás do palco com grande estardalhaço. As luzes acendem-se e ali estão os heróis da noite, como que transportados de uma B.D. para a vida real, prontos a dar à plateia tudo aquilo que ela espera deles.

"Hell Ain't a Bad Place To Be", "Back In Black" e "Big Jack" obrigam os poucos resistentes a levantar-se das cadeiras ou das bancadas."Dirty Deeds Done Dirt Cheap", "Shot Down In Flames", "Thunderstruck" e "Black Ice" garantem que a plateia está totalmente rendida aos músicos. Mais de três décadas de palco fizeram dos AC/DC uma unidade incrivelmente bem oleada, em que nada - absolutamente nada - falha. No entanto, o mais surpreendente mesmo é perceber que, 34 anos depois de ter gravado o primeiro disco, a banda continua a ter a mesma energia que tinha quando começou a tocar.

O vocalista Brian Johnson e Angus percorrem sem descanso uma enorme passadeira que liga o palco a uma estrutura mais pequena que atravessa toda a plateia e termina na outra ponta do estádio. Malcom Young, Cliff Williams e Phil Rudd, menos dados a extravagâncias físicas ou sequer visuais, mantêm estoicamente uma secção rítmica coesa como poucas. Um dos pontos altos da noite acontece logo a seguir, durante a bluesy "The Jack". E, claro está, tem como principal protagonista o carismático Angus. O eléctrico guitarrista - é difícil perceber onde é que uma figura tão franzina vai buscar tanta energia - protagoniza um strip-tease trapalhão, baixa as calças (não para exibir o rabo, mas uns boxers com o logótipo da banda) e a plateia, repleta de "corninhos iluminados" (à venda nas diversas bancas de merch espalhadas pelo recinto), atinge o êxtase. Daí ao final do espectáculo tudo parece passar numa questão de segundos, com os clássicos ("Hells Bells", "Shoot To Thrill", "Dog Eat Dog", "You Shook Me All Night Long", "TNT" e "Whole Lotta Rosie") a cruzarem-se com mais algumas novidades ("War Machine" e "Anything Goes"). A apoteose, no entanto, estava reservada para a a recta final do espectáculo. Primeiro "Let There Be Rock"; numa épica versão de mais de 15 minutos, que incluiu um longo - demasiado? - solo de guitarra e Angus, numa explosão de confettis, a espernear no chão da tal plataforma ao fundo do estádio. E depois, já em encore, "Highway To Hell" e "For Those About To Rock", com petardos de "canhão" e pirotecnia incluídos a por um ponto final apoteótico numa noite memorável. Antes do concerto...

Diabos à solta para ver Angus Young e companhia.

Ao fim da tarde, já se vestia a t-shirt oficial.

Os Vicious 5 à porta do estádio Alvalade XXI. Exactamente às 19:30, subiram ao palco os portugueses The Vicious Five. Repescada à última hora para colmatar a ausência dos retro rockers irlandeses The Answer - que, segundo um comunicado enviado à imprensa, cancelaram a sua actuação por "problemas pessoais" - a banda lisboeta portou-se como um peixe na água e confirmou a ideia de que é, efectivamente, uma das mais excitantes propostas nacionais no espectro do rock. Os Mundo Cão não tiveram a mesma sorte, mas sobretudo por culpa do som que se fez sentir durante a sua actuação - demasiado abafado e suscitando comentários do género "mete mais alto!" desde o momento em que o actor Pedro Laginha e companhia - uma companhia de luxo, diga-se... com Miguel Pedro e Vasco Vaz (dos Mão Morta) na formação - subiram ao palco.

Texto: José Miguel Rodrigues Fotos: Rita Carmo/Espanta Espíritos