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Lenny Kravitz sobre Prince: “Uma parte de mim morreu”

Kravitz era grande fã e amigo de Prince, tendo contado à Rolling Stone algumas das suas melhores memórias

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Lenny Kravitz falou à Rolling Stone sobre a sua relação com Prince, uma das suas grandes referências e alguém a quem chamava amigo.

"A primeira vez que me lembro de ouvir o Prince foi quando uma estação de rádio de música negra que eu costumava ouvir em Los Angeles começou a passar a 'I Wanna Be Your Lover', em 1979", conta. "Gostei, mas só me identifiquei com ele no ano seguinte, quando saiu o Dirty Mind. Foi um momento essencial para mim. Ver a capa do álbum foi suficiente para abrir a minha imaginação. Ali estava um tipo afro-americano, com a minha cor de pele, a tocar a guitarra como eu queria tocar. Claro que podia ter o exemplo do Jimi Hendrix, mas esta pessoa estava viva, a fazer aquilo à minha frente", explica.

"A música, a energia, a cor, o cabelo, os membros da banda - tudo era incrível para mim", resume. "O facto de ele tocar todos ou quase todos os instrumentos, nos seus álbuns, foi um grande exemplo para mim, porque no liceu eu tocava guitarra, baixo, bateria e teclas".

Lenny Kravitz conta também que, na primeira vez que foi à Virgin Records, em busca de um contrato, os executivos que o receberam escreveram, ao ouvir a sua música, "Prince com John Lennon".

Depois de Lenny Kravitz lançar o álbum Let Love Rule, Prince convidou-o a visitar o seu estúdio em Los Angeles e desde então ficaram amigos.

"Andámos por Paris, Nova Iorque, Amesterdão, Mineapolis, Miami. Socializávamos e tocávamos música. Nunca vi uma grande diferença entre a persona privada e a persona pública de Prince. Só havia uma pessoa. Ele podia ser muito sério ou muito engraçado e pateta. Tinha um grande sentido de humor".

Lenny Kravitz elogia ainda a energia de Prince e conta que visitar Paisley Park, a propriedade do músico, era como estar na fábrica de chocolate de Willy Wonka ou no filme O Feiticeiro de Oz. "Mal entras, estás no mundo do Prince. Tem tudo a ver com ser criativo e com a música".

"Era uma pessoa amorosa. Se gostasse de ti, gostava mesmo e tratava-te lindamente. Outras vezes desaparecia e não dizia nada durante um ano, mas isso nunca me aborreceu".

O norte-americano confessa ter ficado arrasado com a notícia da morte de Prince. "Ainda não recuperei. Não quero ser dramático ou demasiado sensível, mas sinto que uma parte de mim morreu", diz, referindo-se à influência que o homem de "Kiss" teve em si. "Para mim, foi um mentor e, depois, alguém a quem pude chamar amigo e com quem toquei. Quando ele partiu, uma parte de mim partiu também".