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Prince, o filantropo secreto

O ativista político Anthony "Van" Jones levantou o véu sobre os posicionamentos políticos de Prince

Van Jones, ativista político norte-americano e amigo de Prince, contou à Rolling Stone sobre um lado do falecido músico que este procurou esconder em vida: o da filantropia.

Segundo Jones, Prince era politicamente ativo, apesar de não o mostrar publicamente e de nem sequer se assumir apoiante de um ou outro partido. "Politicamente, [Prince] era púrpura", conta. "Com uma só frase, pensarias que ele era Republicano, porque estaria a falar sobre a economia. Com outra, que ele era Democrata, porque falaria da necessidade de acabar com o racismo".

Van Jones e Prince formaram uma relação de amizade há cerca de dez anos, quando o primeiro recebeu um cheque anónimo no valor de 50 mil dólares (cerca de 44 mil euros). "Devolvi-o, porque não aceito cheques anónimos - podem vir de qualquer pessoa. Depois recebi uma chamada de um representante, que me disse que não podia revelar de onde vinha o dinheiro, mas que a sua cor favorita era o roxo", revela. "Em vez de depositar o cheque num banco, emoldurei-o. O Prince achou piada e ficámos amigos".

Nos seus últimos anos de vida, o músico envolveu-se com várias causas sociais, desde a organização Green For all, que ajuda a criar empregos amigos do ambiente em comunidades desfavorecidas, até ao movimento Black Lives Matter - o músico enviou mesmo donativos à família de Trayvon Martin, jovem negro morto à queima-roupa por um vigilante, em 2012. E nem sempre era fácil apontar aquilo pelo qual Prince se interessaria a seguir: "ele era completamente imprevisível", diz Jones.

O ativista explica, contudo, que Prince tinha uma causa única: a humanidade. "Ele preocupava-se muito com as pessoas. Nunca ninguém foi a um concerto de Prince e disse 'não pertenço aqui, não sou negro, não sou branco, não sou fixe, não sou hetero'... Era uma corrente de génio a tentar emocionar o coração humano", conta.

Ainda segundo Jones, Prince estava bastante ciente daquilo que se passava no mundo. "Ele era uma espécie de nerd das notícias", revela. "Via uma notícia sobre um acontecimento negativo e tentava arranjar maneira de o mudar". O ativista não tem dúvidas; o génio de Prince manifestar-se-ia independentemente do meio que escolhesse - neste caso, escolheu a música. "Se ele quisesse ser político, seria rei do mundo", afirma.