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Rodrigo Y Gabriela

Rodrigo Y Gabriela amanhã em Lisboa. “Temos novas versões de temas de metal para apresentar”

Dupla de guitarristas está a trabalhar num novo álbum e promete apresentar novidades no concerto da Aula Magna

Vêm tocar a Portugal pela primeira vez e prometem trazer música nova para apresentar. A dupla mexicana de guitarristas Rodrigo Y Gabriela sobe amanhã ao palco da Aula Magna, em Lisboa (21h30, bilhetes entre €26,00 e €35,00 - desconto com a BLTIZ de abril) e o músico falou à BLITZ sobre uma carreira que começou a despontar quando conheceu Gabriela, aos 15 anos, na Cidade do México.

Por que razão decidiram fazer música juntos?
Conhecemo-nos há muito tempo, quando tínhamos 15 anos. Ambos gostávamos de heavy metal… Eu tinha uma banda e a Gabriela acabou por se juntar a ela. Ao mesmo tempo, sempre tivemos guitarras acústicas em casa e passávamos muito tempo a tocar só os dois e a divertir-nos. Quando saímos da banda, dedicámo-nos a elas porque era mais fácil levá-las em viagem. Fomos para a Europa e começámos a tocar nas ruas, sem qualquer expectativa de gravar um álbum. Subitamente, as coisas aconteceram e tornámo-nos uma banda a sério. Foi um acidente, na verdade.

Estavam na Irlanda nessa época, certo?
Sim.

De que sente mais saudades desse país, onde viveram oito anos?
Das pessoas… As pessoas são muito afáveis. De certa forma, toda a nossa carreira continua baseada lá. Tenho andado a trabalhar no novo álbum desde o ano passado em Oslo. A Gabriela está no México e eu também tenho uma casa lá, onde montámos o nosso estúdio… Irlanda é onde temos a nossa base, o nosso management está lá, e é onde pagamos impostos. Ainda sinto que é a nossa casa.

Conheceu lá o Damien Rice, certo?
Sim. Conhecemo-lo há muito tempo, quando ele estava a começar a gravar o primeiro álbum e passámos algum tempo juntos. Ele, junto com alguns outros músicos irlandeses, foi muito fixe connosco e fizemos primeiras partes de muitos concertos deles. Também andámos a fazer as primeiras partes de concertos do David Gray, que é inglês, na Europa. Ajudou-nos muito. Foi a nossa primeira verdadeira digressão. Toda essa geração de músicos nos ajudou. Sentimo-nos bem por fazer parte disso, de certa forma.

Já estão juntos, enquanto dupla, há 16 anos. A vida na estrada é mais fácil agora ou era mais fácil há dez anos?
Há dez anos ainda íamos sair para beber um copo depois dos concertos, agora é diferente. Sabemos que se quisermos atuar como deve ser precisamos de nos manter em boa forma e ser tão saudáveis quanto possível. Houve um tempo para nos divertirmos, e divertimos… Agora é diferente, mas o truque da vida é aprender a desfrutar cada momento. Não dá para comparar. Antes era muito bom, mesmo antes disso era bom, quando tocávamos nas ruas, era fantástico, mas agora também é. Continuamos a aprender a tornar a vida mais fácil.

Conhece a guitarra portuguesa?
Não muito, para ser sincero. Claro que conheço fado, pequenas coisas. Lembro-me que quando vivíamos em Dublin, a Mariza era muito grande. E havia uma outra banda, famosa também, da qual também comprei alguns álbuns, os Madredeus.

Nunca visitou Portugal antes, pois não?
Não, nunca! Vai ser a primeira vez. Nem de férias fomos aí, portanto estamos muito entusiasmados.

O que podem os fãs portugueses esperar do vosso concerto em Lisboa?
Vamos tocar música nova e algumas com voz… Levamos as coisas que habitualmente tocamos mas também vamos expandir as coisas de metal que costumamos tocar porque temos três novas versões de temas de metal, além da "Orion" [dos Metallica]. Claro que vamos tocar coisas do 9 Dead Alive [de 2014] e outras dos nossos primeiros álbuns.

O que querem da música hoje? É o mesmo que queriam quando começaram a tocar?
Isso pode ser respondido de duas maneiras diferentes. O que quero para a minha música é expandi-la. Quero mesmo fazer algo diferente e este novo álbum vai provar isso. Em geral, o que espero da música é que abra novas alternativas, que sejam criados novos caminhos para os músicos e que se perceba que os padrões e formatos antigos mudaram. Isso dá mais espaço à criatividade.