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PJ Harvey

Novo álbum de PJ Harvey é editado esta semana: leia aqui o veredicto BLITZ

The Hope Six Demolition Project chega às lojas na próxima sexta-feira

PJ Harvey
The Hope Six Demolition Project
Island/Universal
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Um disco de PJ Harvey é sempre «um disco de PJ Harvey» e, tal como aconteceu com White Chalk, magistral álbum de 2007 que demorou algumas semanas a conquistar um lugar no nosso coração, é provável que daqui a uns dias nos arrependamos de ter escrito as linhas que se seguem. The Hope Six Demolition Project, o nono álbum da artista britânica, é um óbvio sucessor para o aclamado Let England Shake, que apresentou ao mundo a sua faceta exploratória, observadora, de pesquisa, que se encontra a anos-luz da roqueira de Rid of Me ou To Bring You My Love. Saudosismos à parte, não conseguimos negar que a primeira impressão deixada por The Hope Six Demolition Project é a de um álbum um tanto ou quanto disperso, quer em termos líricos quer em termos estéticos, uma espécie de diário de bordo das viagens que fez ao Kosovo, Afeganistão e Washington D.C., entre 2011 e 2014, e que dotam o disco, à partida, de uma forte componente política. Tudo estaria bem, se aquilo que ouvíssemos nas canções não fossem ideias pouco desenvolvidas, demasiado descritivas («Medicinals» roça o sofrível), que tanto mantêm uma respeitável crueza emocional como dão origem a letras pouco inspiradas (em «Chain of Keys», «The woman’s old and dressed in black/she keeps her hands behind her back/imagine what her eyes must have seen/we ask but she won’t let us in»). Só dois dos temas passam os cinco minutos, mas há tanto recheio em momentos como «The Community of Hope» (provavelmente o mais gingão do disco) ou na ladainha «The Orange Monkey», ambos abaixo dos três minutos, que quando chegamos ao final de «Dollar, Dollar», escolhido para encerrar o disco, parece que a viagem foi mais longa do que realmente foi. A forte presença masculina nos coros, dando um toque mais militarista à coisa, distraem-nos, por vezes, e Harvey só parece marcar bem a sua presença na poderosa «The Ministry of Defence», provavelmente a canção mais forte aqui, na quase fantasmagórica «River Anacostia», na sedutora e bluesy até ao tutano «The Ministry of Social Affairs» e no cartão-de-visita «The Wheel», que apesar de algo caótica é a canção que melhor faz a ponte com o passado (longínquo) de Harvey.