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Parque de diversões ou selva de negócios? Musikmesse em 2016

Rui Miguel Abreu mergulha no mundo das ferramentas musicais que está de portas abertas em Frankfurt até ao próximo domingo

Frankfurt é uma cidade chave para o universo financeiro e por isso mesmo faz sentido que alguns dos maiores negócios da indústria da música se façam aqui mesmo, durante o Musikmesse. Há um pavilhão chinês, por exemplo, o que faz pleno sentido já que as grandes marcas desta indústria procuram novos mercados e a China continua a ser o grande El Dorado, tanto para produtos mais comuns como para os mais exclusivos.

A guitarra da Gibson Eden of Coronet, cheia de jóias incrustadas, custa dois milhões de dólares e bem pode vir a adornar a sala de estar de um qualquer milionário que consiga escapar ao escândalo global dos Papéis do Panamá. E há muito mais por aqui, de palhetas para guitarras que custam um par de euros a pianos recuperados da Steinway & Sons que podem custar o mesmo que um dos desportivos que Cristiano Ronaldo guarda na garagem.

O "hall" dos pianos, aliás, oferece uma das mais impressionantes experiências desta edição do Musikmesse: uma gloriosa cacofonia que se desprende de centenas de pianos que estão a ser tocados ao mesmo tempo por potenciais clientes, curiosos ou especialistas que tentam demonstrar as qualidades dos seus produtos ao público. É que nestes dois dias - esta é uma das inovações desta feira na edição corrente - o evento tem as portas abertas ao público em geral que chega a pagar algumas dezenas de euros por um bilhete que lhes abra as portas a toda a feira. Neste "hall" dos pianos também há de tudo: continuando o paralelismo com o universo dos automóveis, pode-se encontrar aqui pequenos utilitários da Yamaha até Rolls Royces como alguns dos modelos mais exclusivos da Fazioli, marca italiana que só fabrica cerca de 100 exemplares por ano. Há pianos para todas as mãos. E bolsas.

Mas nem só de pianos vive o pavilhão dos ditos cujos: um dos mais extraordinários items que ali se encontra parece ser um daqueles robots que desmantelam bombas, com lagartas e tudo, mas serve para a sempre difícil missão de mudar pianos. E há quem venda tudo o resto que um piano precisa: candeeiros, bancos, suportes para partituras. Para um pianista, a verdade é que a Musikmesse pode ser um verdadeiro parque de diversões.

Na verdade, essa ideia é extensível a qualquer músico: gostem de cordas, de sopros, de teclados electrónicos ou de percussões acústicas, a verdade é que este evento oferece a possibilidade de uma espécie de peregrinação anual para apaixonados das ferramentas que fazem a música. E há por aqui gente de todas as tribos - muitos adeptos do lado mais gótico do rock, muitas "poupas" mais anos 50, muitos "caps" do hip hop - e de todo o planeta: nas roulottes do autêntico festival de street food que aqui acontece é sempre divertido observar os esforços de comunicação de quem chega de pontos mais "exóticos" do planeta.

Frankfurt pode ser um "hub" financeiro, como já se explicou, mas até os bancários, os banqueiros e os corretores precisam de se divertir: há um importante clube de música electrónica por aqui, o Robert Johnson, onde ontem se apresentou Richie Hawtin, planeia-se para 2017 a abertura do primeiro museu de música electrónica do mundo e, até ao Verão, há concertos para todos os gostos, de Method Man e Redman, juntos, a Tortoise, de Rihanna, Weeknd e Bryan Adams a Beyoncé, que vai aqui trazer a sua Formation World Tour. Não pode ser só trabalho, afinal de contas.