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Edgar Keats

Miguel Ângelo faz 50 anos. Leia o que ele disse à BLITZ sobre estrelato, heróis e vilões... e veja uma foto muito antiga dos Delfins

Parabéns ao homem que deu voz aos Delfins, nascido há precisamente 50 anos! Noutra celebração, a dos 30 anos da BLITZ, assumiu: “sei que passei de herói a vilão”. Mas joga com fair-play

Miguel Ângelo na última vez que foi entrevistado pela BLITZ, em novembro de 2014:

Se no seu universo os mods são heróis e os rockers vilões, isso significa que é inimigo de António Manuel Ribeiro, dos UHF?
Sou grande amigo do António Manuel Ribeiro (risos). Ainda pensei que fosse nomear o Zé Pedro, o que teria ainda mais graça... Bem, essa rivalidade entre mods e rockers também se ficou pela praia de Brighton... Isso tem graça como folclore documentado de uma época. Cá em Portugal isto é um microcosmos e sempre tivemos rockers e rockabillys nas festas mod. Acaba por haver mais uma proximidade porque são nichos resistentes à cultura global.

Foi ao concerto de Morrissey, para muitos um herói, para tantos outros um vilão. De que lado da barricada o coloca?
Ele tem muitas atitudes que são politicamente incorrectas, em coisas que têm a ver com Inglaterra: uma ligeira xenofobia em alguns dos seus comentários e letras, algumas fotografias tétricas em poses com a bandeira Union Jack... O público mais intelectual até aprecia estas provocações. Mas há muita gente que, de facto, o encarava como um herói e que, entretanto, acha que ele se transformou em vilão. Eu vejo-o como uma grande figura da pop a que são permitidos esses devaneios. Quando as coisas são boas vivem numa esfera superior que é a da arte.

E o Miguel Ângelo, como acha que é visto em Portugal?
Sei que há tipos que me odeiam, sobretudo quando tive mais exposição pública por causa de alguns programas de televisão mais populares. Se calhar passei um bocadinho de herói a vilão por causa disso. Acho alguma piada: tudo o que pudermos fazer para subverter a nossa própria carreira é muito saudável. Acho incrível, e é um exemplo, como o Scott Walker minou a sua carreira de ídolo pop e criou um lugar que é só dele.

E porque vale a pena recordar... Os Delfins mesmo no início, em 1985:

Delfins em 1985

Delfins em 1985