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Babymetal: Como três adolescentes japonesas se transformaram em ídolos do metal

A girls band mais pesada do mundo acaba de editar o seu segundo álbum, Metal Resistance

Aquilo que no mundo ocidental se designa como girls ou boys bands tem um outro nome no Japão: chamam-lhes idol groups, grupos compostos por adolescentes ou jovens adultos que são comercializados como modelos a seguir. O fenómeno é antigo, e muito lucrativo; este género de grupos ocupa, quase sempre, os lugares de topo da tabela de vendas.

O estilo musical destes grupos é eminentemente pop: ênfase na melodia, na batida e, claro, nos movimentos de dança. Se bem que, nos últimos tempos, há quem tenha decidido experimentar com o cânone, dar um outro contexto ao fenómeno. É o caso, por exemplo, das BiS, rotuladas como "alternativas" dentro deste meio - e que, em 2012, colaboraram com os Hijokaidan, um dos nomes mais sonantes da música experimental japonesa.

Contudo, o fenómeno mais recente, e que se está a expandir do Japão para o mundo inteiro, são as Babymetal - que, como o próprio nome indica, são um idol group que se dedica a fazer heavy metal, se bem que com características mais ou menos pop.

A banda foi formada em 2010, a partir de um outro grupo, sendo que na génese do projecto estava precisamente a ideia de fundir o metal com a música dos idol groups. À altura, os membros da banda, três raparigas pré-adolescentes com idades entre os 10 e os 12 anos, nem sequer sabiam o que era o heavy metal...

Porém, isso não as impediu de se tornarem, nos anos subsequentes, num caso sério de popularidade. O seu primeiro single em CD, "Babymetal x Kiba of Akiba", editado em 2012, chegou ao terceiro lugar do top de vendas indie. Em agosto desse ano, tornaram-se no grupo mais jovem de sempre a atuar no festival japonês Summer Sonic Festival, lado a lado com nomes como os Green Day, Rihanna, Sigur Rós ou Calvin Harris.

A partir daí, o percurso das Babymetal tem sido sempre a subir. Em 2014, com o lançamento do seu primeiro álbum, homónimo, conquistaram o respeito da crítica especializada e venderam cerca de 37 mil cópias só na primeira semana, no Japão. Foi aqui que o seu apelo começou a tornar-se global: Babymetal chegou ao primeiro lugar dos tops heavy metal do iTunes, no Reino Unido, na Alemanha e nos Estados Unidos. Pouco tempo depois, atuaram na mítica sala de espetáculos japonesa Budokan, perante 20 mil pessoas.

Foi nas Américas que encontraram o seu maior público, a seguir ao japonês. Em Montréal, atuaram com os Slayer e os Metallica; e Lady Gaga teve-as a abrir cinco concertos seus na costa oeste dos Estados Unidos. Em agosto de 2014, atuaram na O2 Academy, em Brixton, Londres.

Os motivos que levaram a este fascínio do público pelas Babymetal foram delineados pela revista britânica Metal Hammer: «saias curtas, charme adolescente e vozes esganiçadas, misturados com metal», ao passo que o website AllMusic descreveu o primeiro álbum da banda da seguinte forma: «Se não se importarem com as regras e quiserem, simplesmente, saltar como idiotas ao som da música mais palerma possível este é o álbum que nunca sonharam pedir".

O segundo álbum das Babymetal, Metal Resistance, foi lançado na passada sexta-feira - e, para 2016, está já marcada uma digressão mundial e, inclusive, uma aparição no programa televisivo de Stephen Colbert. O fenómeno, ao que parece, continuará a crescer. E é sobretudo prova de que o metal não escolhe idades...