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PAUS em Bruxelas: todos unidos

A banda portuguesa defende a importância da união, na sequência dos atentados em Bruxelas

A banda portuguesa Paus tocou esta semana em Bruxelas, a escassos metros da praça da Bolsa, onde decorrem homenagens espontâneas às vítimas dos atentados de terça-feira, e onde se verificou uma carga policial sobre manifestantes alegadamente de extrema-direita.

O quarteto entrou no recinto do concerto, pela hora de almoço e, por isso, os seus elementos foram percebendo, mas não testemunhando as agitações que decorriam na baixa da cidade, mas quiseram deixar ao público, que os viu, a mensagem da importância de se manterem unidos.

Face à decisão do promotor de avançar com o espetáculo, os portugueses acharam que "só lhes cabia seguir com o concerto, também", disse à Lusa Hélio Morais, um dos bateristas dos Paus, que terminaram o espetáculo a dizer "permaneçam fortes e cuidem uns dos outros".

"Isto aconteceu cá, as pessoas estão cá, as pessoas querem continuar com a vida e sem ceder a medos", disse o músico, numa referência aos atentados que causaram pelo menos 28 mortos e mais de 300 feridos, na sequência de duas explosões no aeroporto de Bruxelas e uma numa estação de metro, junto de várias instituições europeias.

Ao lado do baterista, o baixista Makoto Yagyu garantiu que "não se trata de esquecer, mas de avançar e continuar a fazer as coisas".

Esta tarde, no percurso previsto para a "marcha contra o medo", entre a Bolsa e a Estação do Norte, decorreu antes uma manifestação de alegados membros da extrema-direita, que, na zona da Bolsa, provocou muita tensão e levou ao uso de canhões de água, pelas forças policiais.

O baterista assumiu que há receio e lembrou como a namorada, a trabalhar num centro de atendimento de psicólogos, testemunhou a chegada ao serviço de pessoas a relatarem os acontecimentos de Bruxelas.

"É claro que gera um receio na família, também pela ignorância. Quando nós chegámos cá, não sabíamos como estava, não sabíamos que cidade íamos encontrar, como estava o ambiente", comentou.

Por seu lado, Makoto enumerou o que se encontra por estes dias na baixa da capital: "Barricadas, não são só os tanques, há carros, camiões militares e muita polícia".

"Percebe-se que a cidade está a lidar com 'a coisa', mas causa um impacto", concluiu, enquanto Hélio Morais reconheceu que ficou impressionado por ver a reação das pessoas.

"Pessoalmente, também quis fazer parte disso, nem que seja uma parte ínfima", afirma Hélio, a justificar o apelo à união, com Makoto a complementar a frase e a referir que "é ajudar à normalidade".

Ao longo do concerto desta tarde, a banda foi transmitindo mensagens sobre a importância das pessoas permanecerem juntas, como a frase gritada, em inglês, no final do espetáculo: "Permaneçam fortes e cuidem uns dos outros".

Uma recomendação que Hélio também transmitiu depois de sair do palco: "O principal é o pessoal estar junto, porque o intuito principal do que tem acontecido é dividir a Europa, dividir os países, dividir o mundo, e não há ninguém sem quota-parte de responsabilidade no meio desta confusão toda que existe".

AGÊNCIA LUSA