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Caetano Veloso: “Sou do tempo em que a espontaneidade era o que dava força à arte. Bowie pareceu-me um retrocesso”

Em entrevista à BLITZ, Caetano Veloso fala sobre o seu percurso e muito mais

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Caetano Veloso, que em abril toca nos coliseus do Porto e de Lisboa com Gilberto Gil, é um dos entrevistados da BLITZ, já nas bancas.

O momento atravessado pelo Brasil (ainda que a entrevista tenha sido realizada antes do eclodir da presente crise política), a visita a Israel e o diálogo com Roger Waters, as várias passagens por Portugal e o percurso com Gilberto Gil são alguns dos temas abordados.

Leia também o que Caetano Veloso tem a dizer sobre David Bowie e a sua morte, no início deste ano.

Após a morte de David Bowie, escreveu que perdeu «o bonde» [o elétrico] do artista nos 70 e que nunca ficou com qualquer canção dele na cabeça. Quis completamente honesto, num tipo de texto que, pelo seu timing, tende a ser quase sempre carregado de elogios?
Sempre quero ser honesto. Aprendi com o meu pai. Quando Bowie morreu, contei o que tinha para contar da minha relação com o trabalho dele. De como passei a admirar a importância do caminho singular que soube desenhar para si. Mas, desde o meu encontro pessoal em Londres até há poucos anos, nunca me senti encantado com o que ele apresentava.

Elogiou o premonitório vídeo de «Lazarus», escrevendo: «tem algo das obras de arte arrebatadoras e inesquecíveis». Emocionou-se ao perceber que, ao que tudo indica, Bowie planeou ao milímetro a sua «saída de cena»?
Cheguei a pensar isso. Mas achei estranho demais. Quando o vídeo de «Lazarus» me pareceu arrebatador, esqueci esse possível aspeto da coisa. O estilo super planejado, super desenhado de Bowie sempre me desagradou um pouco. Sou do período em que a espontaneidade, o horror à hipocrisia, a sujeira anárquica das performances eram o que dava força à arte. Bowie pareceu-me um retrocesso. Precisei esperar anos para entender que certos aspetos do que ele propunha apontavam para o futuro. Não que fosse necessariamente para um futuro melhor.

Para ler a entrevista na íntegra, consulte a BLITZ de abril, já nas bancas.

A BLITZ 118, já nas bancas

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