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Butch Vig fala sobre “Nevermind”, dos Nirvana, e o estado “medíocre” da música hoje

O produtor do álbum que catapultou os Nirvana para o mainstream falou de tudo, numa entrevista ao website The Daily Beast

Butch Vig, baterista dos Garbage e o produtor que ajudou os Nirvana a alcançarem o estrelato devido ao seu trabalho em Nevermind, álbum de 1991 que definiu uma geração inteira, falou recentemente ao website norte-americano The Daily Beast sobre o 25º aniversário do disco e sobre o estado da música atual.

Para Vig, existe hoje em dia "demasiada música medíocre, porque há demasiada música", comenta. "Vais ao SoundCloud e entre todas as faixas de EDM que ouves há uma que é interessante, mas o resto não tem chama, não há paixão".

Questionado sobre se a EDM dos dias de hoje desperta em si o mesmo ódio pelo hair metal que os Nirvana ajudaram a destruir, Vig é mais diplomático: "acho que a moda vai desaparecer, [mas] sempre houve música de discotecas. A cena EDM transformou muitos DJs em estrelas, que podem subir ao palco com um portátil e serem pagos para carregar no play durante 90 minutos. Bom para eles, quem me dera poder fazê-lo!".

Para o produtor, o sucesso de Nevermind foi ter aparecido na altura certa, logo após a era Reagan. E aponta também o facto de o álbum ser composto por temas pop com atitude punk: "consegues cantar cada canção a plenos pulmões. A produção [do álbum] foi muito simples".

Butch Vig respondeu ainda aos relatos que dão conta de que Kurt Cobain não terá gostado de Nevermind: "ele adorou o disco!", diz, "mas no ano seguinte, depois de ter vendido dez milhões de cópias, teve de o renegar. Não podes ter uma ética punk e dizer 'uau, estou tão contente com o disco e com o facto de ter vendido tanto!".

A importância de Nevermind continua bem presente, para o produtor: "virou as pessoas do avesso, é um daqueles discos que não aparecem muitas vezes", diz. E, crê Vig, o mundo está preparado para ouvir um disco igual. "Pode vir de um artista hip-hop que cante como o Bod Dylan", explica.

Contudo, Butch Vig não acredita que um álbum como Nevermind pudesse ter o mesmo impacto hoje que teve nos anos 90. Tudo devido à evolução tecnológica. "Há muitos discos rock que soam bem hoje em dia, mas não têm a mesma vibe que aqueles feitos na era pré-digital", comenta.

Quanto às bandas de hoje que mais aprecia, o produtor aponta nomes como Best Coast, Wolf Alice, Courtney Barnett ou Parquet Courts. E no que à pop de hoje em dia diz respeito? "Há muita merda que é comercializada em peso, mas esse será sempre o caso", admite. Palavra de um homem que ajudou a mudar o mundo.