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Deolinda continuam no primeiro lugar do top nacional: leia aqui a crítica da BLITZ

Outras Histórias é o disco mais vendido em Portugal há três semanas. Leia aqui a crítica publicada na BLITZ de março

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

É um universo com vários sóis, o quarto álbum dos Deolinda. Tendo já uma identidade plenamente formada, a banda de Lisboa escolheu, em Outras Histórias, ampliar um pouco o leque de ação. As mudanças sentem-se ao nível dos acabamentos, uma vez que a essência do que são os Deolinda desde a estreia com Canção ao Lado permanece intocada.

Atrevida, castiça, popular são atributos que continuam a fazer sentido quando falamos da criação de Ana Bacalhau, Pedro da Silva Martins e Luís José Martins e José Pedro Leitão. No sucessor de Mundo Pequenino, contudo, o quarteto chamou a si um naipe eclético de trunfos: DJ Riot, que lhes entregou um improvável funaná em «A Velha e o DJ», a Orquestra Sinfonietta de Lisboa, interpretando arranjos de Filipe Melo, e Manel Cruz, segunda voz em «Desavindos».

Ao fim de 15 canções, todas escritas por Pedro da Silva Martins, ainda é a Deolinda que conhecemos que aqui canta, mesmo que Ana Bacalhau explore, a espaços, alguns tons mais graves da sua voz, ou que aos habituais instrumentos acústicos se juntem os beats de um membro dos Buraka Som Sistema.

E começando, então, pelo joker desta coleção: a ideia é mais indigesta do que o resultado. Os beats acelerados de Riot são um elemento estranho no corpo de trabalho dos Deolinda, mas a prestação vocal e o universo lírico da canção mantêm «A Velha e o DJ» deste lado do que reconhecemos como algo que a banda poderia fazer. Por outro lado, «Bons Dias», que abre o disco, ou «Pontos no Mundo» trazem-nos os Deolinda acústicos e delicados de «Passou por Mim e Sorriu», por exemplo, quer no som gentil quer na mensagem de otimismo.

Em «Manta para Dois» ou «Mau Acordar», Pedro da Silva Martins volta a um registo que conhece bem – a crónica de costumes, dentro ou fora de casa – e em «Bote Furado», «Avó da Maria», «Berbicacho» e «Bom Partido», o grupo explora uma certa ideia de música popular portuguesa, com grande ênfase na percussão. E ainda há a oração para dias cansados com Manel Cruz e a magia de «Dançar de Olhos Fechados», mesmo a fechar. O futuro deles pode ser tudo isto.

DEOLINDA
Outras Histórias
Universal
4/5