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“Post Pop Depression”, o disco de Iggy Pop com Josh Homme, já saiu: e o veredicto BLITZ é...

Heróis do rock de ontem e hoje juntam-se em segredo e fazem um álbum pujante qb. Leia aqui a crítica publicada na edição deste mês da BLITZ

O décimo sétimo álbum em nome próprio de Iggy Pop tinha, em teoria, vários motivos para correr mal. Como quando se diz que determinada equipa está condenada ao fracasso porque tem o passado ou a estatística contra si em determinada contenda, o confronto das "superbandas" com a história não resulta propriamente frutuoso (isto é, "generoso quanto à música que persiste"). Ficaria entusiasmado, se soubesse o que sabe hoje, com um volume de sobras da desventura dos Metallica com Lou Reed? Sabia que pode comprar um disco dos Superheavy (ajudamos: Mick Jagger, Joss Stone, Damian Marley, Dave Stewart e A. R. Rahman) por 1 cêntimo (mais despesas de envio) no mercado online de segunda mão?

O passado recente da discografia a solo de Iggy Pop, é sabido, não o recoloca na linha da frente do rock. O regresso dos Stooges, no início da década passada, devolveu o "animal" aos palcos e ajudou a cimentar legado, mas os discos dois foram corridos a pontapé (especialmente The Weirdness, de 2007). Em nome próprio, o par de ocorrências também não foi animador: dois álbuns de versões; o último dos quais, Après (2012), percorrido por uma mansidão desoladora, felizmente só tinha 28 minutos.

Post Pop Depression, produzido por Josh Homme (Queens of the Stone Age) é uma semi-confirmação da teoria, ainda que no capítulo musical seja difícil apontar o dedo à craftmanship de Homme, que orquestrou para acompanhar Iggy Pop um gangue que se completa com Matt Helders (dos Arctic Monkeys) e Dean Fertita (dos QOTSA). Feito na surdina, maioritariamente nos estúdios de Joshua Tree, soa à teatralidade de tempos idos de Iggy Pop cruzada com a pujança do stoner rock sensual ("Break Into Your Heart", "American Valhalla"), busca as memórias da cumplicidade de Bowie com Iggy em "Gardenia" (melhor em estúdio do que na aparição televisiva que a apresentou) e investe num bem esgalhado boogie rock/disco em "Sunday". E é isto. Se é suficiente para evitar o descalabro (está bem acima disso, refira-se), não o é para garantir a eternidade.

3/5