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Capicua lança disco para crianças no outono

Depois de espetáculos subordinados ao mote Mão Verde, no ano passado, a rapper do Porto lançará um disco com essas e outras canções

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Capicua vai lançar um disco para crianças no outono.

A rapper já acabou as gravações do projeto que nasce dos espetáculos Mão Verde, que deu no ano passado no São Luiz, em Lisboa.

Recorde aqui a entrevista feita com Capicua em 2015, a propósito dos espetáculos Mão Verde.

Quando era criança, Ana Fernandes, mais conhecida pelo "nome de guerra" Capicua, lembra-se de ir a alguns concertos. "Os meus pais levavam-me sempre, no 25 de Abril. Eu gostava do José Mário Branco, dos outros nem tanto", recorda, entre risos. Mais do que da música, caminho que havia de seguir enquanto rapper, a portuense recorda-se da omnipresença da palavra na sua infância. "A minha mãe contava-me sempre uma história que acabava com uma lengalenga de um macaco, que eu sei de cor até hoje, e o meu pai gosta de dizer palavras ao contrário", ilustra. "Na escola primária, no dia do pai, escrevia as minhas redações e as dos meus colegas, e uma vez escrevi um poema que a professora até quis publicar num livro de português. Mais do que à música, sempre me lembro de ter, desde muito pequena, uma ligação à rima", confessa.

Por isso, quando recebeu um convite do São Luiz para atuar para crianças, Capicua ficou entusiasmada: "Já andava com a ideia de fazer um livro de lengalengas [infantis], e pensei: se calhar esta é a oportunidade ideal para acabá-las e, em vez de fazer um livro, faço um concerto", conta. A possibilidade de abordar temas ecológicos pareceu-lhe igualmente aliciante, e daí à criação do conceito do espetáculo - Mão Verde - foi um ápice. "Há uma expressão em francês que é avoir la main verte, que é ter jeito para a jardinagem", explica esta aficionada das hortas caseiras e ervas aromáticas. "Falar disto às crianças não tem só a ver com achar que elas têm interesse em ouvir, mas com eu ter interesse em falar sobre isso e acreditar que este é o veículo ideal para fazê-lo. No meu trabalho normal, quando faço rap para o meu público ou letras para outras pessoas, é mais difícil encaixar estes temas; tenho medo de cair numa [toada] moralista ou panfletária. Com os putos é fácil", considera, ainda que prometa não "infantilizar" a mensagem.

"Nunca conheci um miúdo que não gostasse de animais ou de plantas, que não ficasse fascinado a ver um pé de feijão a crescer dentro de um algodão molhado ou não quisesse plantar e brincar com a terra. E é estratégico, porque eles é que vão tomar conta de nós, um dia destes!", completa.

Em palco, Capicua será acompanhada por Pedro Geraldes, guitarrista dos Linda Martini, que "fez um conjunto de instrumentais que me surpreenderam, porque têm sentido de humor mas, ao mesmo tempo, não são assim tão infantis." Da junção da sua música e dos jogos de palavras de Ana nasceram "oito temas, mais duas historinhas e uma versão da "Vayorken"", êxito "multiusos" do seu segundo álbum, Sereia Louca.