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Kanye West: o hip-hop sou eu

Na BLITZ de março, damos capa a Kanye West. Leia aqui parte de um dos artigos que dedicamos a esta controversa mas aclamada figura

Nuno Galopim

Nuno Galopim

Jornalista

Será que, aos «reis» que a música já conhece passaremos, com Kanye West a ter o «presidente»? Nem toda a instituição das figuras maiores do firmamento da cultura pop se faz necessariamente com coroas. É claro que há o «rei» (sem mais nada senão «rei»), quando falamos de Elvis. Michael Jackson, ou quem tratava da condução da sua imagem, criou para si a figura do «rei da Pop»... E por muitas vozes novas que entrem em cena, de Britney a Lady Gaga, não houve ainda quem disputasse com Madonna o cetro de «rainha» da pop, como os seus mais devotos admiradores a tratam. Há um «boss» em Bruce Springsteen... Havia um «chairman of the board» em Frank Sinatra. Kanye West, mais intenso que todos eles nas frases e artisticamente não menos relevante, e quase sempre «majestoso» na relação com o som (sendo até coautor com Jay-Z de um disco que já referia um trono no título), espera apenas o cognome que um dia o distinguirá dos demais que o rodeiam. Mas na verdade é só o título que falta. Porque a obra em disco já o elege como um dos maiores do nosso tempo e, se fizermos contas aos discos que já vendeu e aos prémios que já arrecadou (só Grammys foram já 21), notaremos que também aí tem argumentos para defender as demonstrações de ego.

Será que devemos tudo isto a um treinador de basquetebol teimoso que não deixou o pequeno Kanye jogar no campeonato principal? Decidido a mostrar o que valia, praticou então durante o verão, tanto que a sua equipa venceu o campeonato da estação quente. Porém, nem mesmo com os resultados e melhor forma demonstrada o seu nome passou a figurar na lista dos eleitos. Sentiu-se ali injustiçado. E ao New York Times, por alturas do lançamento de Yeezus (2013) explicou que o que desde então procura fazer é justiça ao seu real valor. E que, tal como o treinador de basquetebol, também os que votam nos Grammys ou os críticos foram já motivos para que experimentasse a mesma sensação. Este sentido de justiça é o mesmo que uma vez tentou perguntar a Justin Timberlake se queria que o aplicasse a seu favor quando este perdeu em 2007 para as Dixie Chicks o Grammy de Álbum do Ano. Uma ação que, a ter-se concretizado, teria para si uma justificação simples: «sou credível, tão influente e tão relevante que posso mudar as coisas», como disse na mesma entrevista em que recordava as suas memórias dos dias de escola.