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A “Psicopátria” dos GNR regressa hoje ao Porto. E Rui Reininho explica-nos como é que vai fazer

O clássico de 1986 será recriado pela banda portuense num concerto especial, já esgotado, no Rivoli. À BLITZ, Rui Reininho fala do regresso a canções com 30 anos e da vontade de ir para a estrada tocá-las mais vezes

Os GNR regressam esta noite a Psicopátria, o álbum de 1986 que celebraria "Efectivamente", "Bellevue" e "Pós Modernos". O concerto é hoje no Teatro Rivoli, no Porto, e insere-se na iniciativa Porto Best Of, um ciclo organizado por Miguel Guedes, dos Blind Zero, no qual bandas emblemáticas da cidade vão tocar – na íntegra – um dos seus discos mais influentes.

Em 1986, os GNR tinham uma rodagem de cinco anos, alguns acidentes de percurso (a saída de Vítor Rua em 1982, por exemplo), e um embalo comercial inédito desde o tempo dos primeiros singles: «Dunas», incluída em Os Homens Não Se Querem Bonitos, no ano anterior, tinha-se tornado um sucesso radiofónico e abria caminho a uma visão pop que seria aprofundada nos anos seguintes.

Se no álbum de 1985, Alexandre Soares tinha tido participação sólida, ao ponto de o guitarrista ser creditado como coprodutor, Psicopátria é editado num momento em que Alexandre está mais ausente - tinha aberto o bar Lá Lá Lá no Centro Comercial Dallas - e mostrava desconforto com a direção mais pop do novo material. "Nos concertos deixei de ser o gajo que era, naquelas músicas. Porque eu não consigo saltar, não consigo fazer um improviso a meio de… eh pá, dos 'Pós Modernos'. Porque é aquilo! (…) É como fazer improvisos no 'Dunas' – não dá", deixa explícito na biografia Afectivamente, assinada por Luís Maio e publicada em 1989. Soares sairia da banda em março de 1987.

O ímpeto pop é indisfarçável nos singles "Pós Modernos" e "Efectivamente" e a banda tocou em Espanha (Galiza, Madrid) e Itália, apareceu na imprensa francesa e chegou a ver o álbum editado no Brasil.

Hoje, Rui Reininho mostra-se feliz com este piscar de olho ao passado e adianta que "seria muito interessante [este] não ser um ato único. Temos a equipa toda a ensaiar neste sentido e tendo em conta que há um princípio de prazer, não é um sacrifício para nós". Outros espetáculos, garante, estão em negociação.

Em "Psicopátria" não encontra, porém, um disco de aclamação unânime. "Tornou-se, coitadinho, um disco de um certo culto, porque há uma certa memória que a ele é associada, mas por outro lado é aquela marca que fez com que nós passássemos o patamar do 'quase', foi um disco muito popular. E isso, para uma certa intelligentsia, é muito mau".

Trinta anos volvidos, Psicopátria é, para Reininho, "um desafio como os iniciais porque as músicas não são nada fáceis, pela sua estrutura, de executar ao vivo". Recorda-se o tempo de estúdio, na altura: "a produção era nossa e era muito livre, no sentido em que cada um metia o que lhe apetecia. Só por uma questão diplomática é que elas [as canções] estão como estão. Cada um de nós dizia: 'se fosse eu sozinho, fazia isto'. As músicas foram construídas de uma maneira muito sui generis, de que o 'Pós Modernos' é um exemplo. Nota-se perfeitamente que parte da fusão de duas músicas que não chegavam a acordo - e a graça poderá ter sido esta".

Algumas canções, como os sucessos, foram fazendo parte do espetáculo "regular" dos GNR. É o caso de "Bellevue" ou "Efectivamente" e, para os Coliseus do ano passado, "recuperámos o 'Nova Gente' e o 'Pós Modernos'". Por outro lado, o vocalista dos GNR reconhece que "não sei como é que vamos pegar no 'To Miss' [que encerra o disco], porque nunca o fizemos ao vivo. A máquina antiga já não existe, era como ir buscar um tema de Anar Band. Não tenho também a certeza de ter feito temas como 'O Paciente' mais do que uma ou duas vezes; não resultavam ao vivo".

Para logo à noite, não se espere "um registo cristalizado, ensaiadinho, em que depois se pega para fazer sempre igual. Para nós terá graça irmos metendo coisas conforme os espaços e os meios".

O espetáculo, para o qual já não há bilhetes, está marcado para as 21h30, com primeira parte dos Lobo.