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Seu Jorge, cê quer casar comigo?

O concerto do Seu Jorge começou calmo, mas assim que descolou foi difícil segurar o samba que se ouviu pela MEO Arena, em Lisboa, na noite de sábado. Um concerto com direito a Marisa Monte e pedido de casamento, “lógico”

"Ela é bipolar" deu início ao espetáculo do Seu Jorge, sem palavras e com palmas tímidas como resposta. Os lugares vazios pareciam mostrar que em terra de leões e águias a música continua a falar mais baixo.

Ao longo das primeiras músicas a sala foi-se compondo, o público aumentou e a vergonha ia passando. Uns pés e umas palmas começavam, a medo, a acompanhar o ritmo da horda de músicos que acompanhava o brasileiro. Mas continuava a faltar qualquer coisa, espírito, ginga, qualquer coisa que pusesse o samba a correr nas veias de quem o ouvia. Seu Jorge sabia e bastou-lhe pegar na guitarra para o público entrar em delírio. "Boa noite Lisboa" um cumprimento escondido no meio de gritos, palmas e que termina com a ideia de que voltar a Lisboa era "voltar à raiz".

Estava dado o mote. Nem precisou de dedilhar o "violão" para que os seus fãs aparecessem, estava ali um Seu Jorge acústico que conseguiu fazer da MEO Arena uma sala intimista. O aquecimento estava feito, Já ninguém precisava de mais nada, os telemóveis já estavam no ar - os mais tradicionais ostentavam o isqueiro - até que Seu Jorge chama ao palco "a amiga maravilhosa Marisa Monte".

Abraçam, cantam e sambam em conjunto. Por esta altura era já um concerto dentro de outro. Aquele que era um concerto sentado, deixou de o ser quando se ouvem os primeiros acordes de "Em Casa". Um grupo de corajosos junta-se à frente do palco - e ainda sem saber que o que estava quase a presenciar - e por ali ficou, com muitos a seguirem-lhe o exemplo. Muito se sambou na plateia. É no meio de "Amor I Love You" que Marisa e Jorge chamam ao palco um membro do staff. Ao fundo, Marisa pede que se continue a ouvir "Amor I Love You", ao microfone há declaração e pedido de casamento. Sim, leu bem. Uma cena que amoleceu o coração mais empedernido. A resposta não foi "sim", foi "lógico", tão "lógico" como já ninguém se lembrar que aquele mesmo espetáculo tinha começado a medo.

O concerto continua com Seu Jorge, com a banda e com muito pé no chão. Viagens entre os clássicos e os temas mais atuais, como "Amiga da Minha Mulher". Seu Jorge mostrou, mais uma vez, que é possível cantar sobre amor com um ar safado, e sobre traição e deixar o mulherio a suspirar. Quem quer casar com o Seu Jorge? Todo o mundo, "lógico".

Texto: Ana Maria Pimentel