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Rock in Rio-Lisboa

Rita Carmo

Festivais querem política concertada com o turismo

Os espetáculos e festivais de música têm impacto no turismo em Portugal, mas é preciso uma posição concertada a longo prazo, afirmaram no Talkfest responsáveis políticos e promotores

A relação entre festivais de música e turismo foi tema de um debate no fórum Talkfest que contou com a participação do diretor-geral das Artes, Carlos Moura-Carvalho, do vice-presidente da câmara de Lisboa, Duarte Cordeiro, e da vice-presidente do Rock in Rio Lisboa, Roberta Medina.

Sem números estatísticos globais que demonstrem o impacto da realização dos festivais de música no turismo, Duarte Cordeiro recuperou dados do Instituto Nacional de Estatística: em 2014, os espectáculos ao vivo em Portugal geraram 43 milhões de euros de receita de bilheteira.

"Se queremos que os músicos não descartem o país das suas digressões, é preciso demonstrar que fazemos bem e que trabalhamos em conjunto. É preciso ser competitivo", afirmou o autarca.

Carlos Moura-Carvalho corrobora esta posição, dizendo que a oferta cultural, que inclui concertos e festivais, é "uma opção de circulação turística".

Isoladamente, é possível destacar alguns eventos de música, que contam com uma percentagem significativa de turistas estrangeiros.

É o caso do Boom Festival, em Idanha-a-Nova, cuja edição de agosto está esgotada desde novembro. Noventa por cento dos espectadores vem do estrangeiro, espelhando mais de cem nacionalidades, como contou o diretor, Alfredo Vasconcelos, presente na plateia.

"O interior [do país] está vivo, trabalha-se e é possível fazer coisas interessantes. Sinto alguma injustiça na visibilidade que se dá a determinados festivais e não se fala de casos genuinamente portugueses", disse.

Na região de Lisboa, há ainda os casos dos festivais Nos Alive e Rock in Rio Lisboa.

O primeiro, que decorre em julho, em Algés, vendeu 15.000 bilhetes no estrangeiro, em 2015, e, para este ano, segundo a promotora, foram já vendidos quase 18.000 bilhetes fora de Portugal, a maioria no Reino Unido, em Espanha e em França.

O segundo, que acontece de dois em dois anos em Lisboa, registou, em 2014, 12.000 estrangeiros. Sobre a edição deste ano, Roberta Medina não adianta ainda números, referindo apenas que as vendas "estão fortes".

Ou seja, os festivais de música têm potencial turístico -- como afirmaram os intervenientes no debate - mas falta a criação de uma estratégia, para contornar essa característica orgânica de individualismo, como descreveu o diretor-geral das Artes.

O debate encerrou o primeiro dia do Talkfest, o fórum dedicado em exclusivo aos festivais de música em Portugal, que decorre até sexta-feira, no centro de reuniões da FIL.

Lusa