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Guns N' Roses

Guns N' Roses, a banda mais perigosa do mundo. “Nenhum de nós sabia como comunicar com o Axl”, recorda Slash

Banda regressa este ano aos palcos com a formação clássica e na BLITZ de março viajamos no tempo até à digressão Use Your Illusion

A formação clássica dos Guns N' Roses regressa este ano aos palcos e a BLITZ de março (nº 117), já nas bancas, recua até à digressão Use Your Illusion, do início dos anos 90, para contar um pedaço importante da história da "banda mais perigosa do mundo". Leia abaixo um excerto do texto assinado por Filipe Garcia.

Em 1992, os Guns N' Roses poderiam ter o estatuto de maior banda do mundo ameaçado - os Nirvana já tinham lançado Nevermind e os Metallica tinham o álbum preto - mas eram, seguramente, a mais perigosa. Depois do sucesso na estreia com Appetite for Destruction (1987) e de Lies (1988), a 17 de setembro de 1991 tinham lançado dois discos duplos, Use Your Illusion I e II, e saltado de divisão. Entre os trinta originais, ao rock cru e tão agressivo como polémico, tinham conseguido juntar baladas grandiosas e ainda estreavam um novo baterista Matt Sorum, ex-Cult, no lugar de Steven Adler. A troca poderia ter sido apenas isso, uma troca, mas era um sinal que no reino dos Guns N' Roses algo de negro se preparava para acontecer. Adler tinha mergulhado mais fundo que Slash e que o baixista Duff McKagan no vício. Duff tinha escolhido o álcool e a vodca como bebida de eleição,Slash vivia de um cocktail explosivo de Jack Daniel's, heroína e cocaína, mas ambos tinham ido para estúdio em condições para gravar o disco. Então com 25 anos, Adler já tinha tido um enfarte devido ao consumo excessivo de cocaína, mas o consumo de drogas era quase um requisito entre a banda e a história nem era inédita. Anos antes, em Los Angeles, já Slash tinha conseguido um feito quase semelhante depois de uma noite de farra, regada a Jack Daniel's, e atestada tanto de cocaína como de heroína, no regresso ao hotel e na companhia de Duff, «apagou» na entrada do elevador. «Recebi uma chamada no quarto às 5 e meia da manhã: "senhor Reese, um dos membros da sua banda está desmaiado no elevador no sexto andar". Vesti umas calças, sai a correr e o Slash estava morto, azul. Quando apareceram os paramédicos, levou logo com adrenalina no coração», contou ao VH1 John Reese, o tour manager da banda. Para a história, ficaram os oito minutos em que Slash não respirou e a certeza de que a banda não duraria muito. Adler não foi despedido por estar agarrado a drogas, mas antes por ter um problema que Slash nunca teve de enfrentar - em estúdio, foi incapaz de acompanhar os companheiros de banda na gravação de «Civil War», a música de abertura do segundo Use Your Illusion. Uma falha imperdoável numa altura em que Axl, fechado no seu mundo, já controlava tudo. «A verdade é que ninguém tinha sequer acabado o liceu, quanto mais saber de Psicologia. Nenhum de nós sabia como comunicar com ele. Seria mais fácil quando conseguias falar com ele num sítio sossegado, no espaço dele e com as suas regras - aí dava para resolver algumas coisas. Era a única abordagem possível, qualquer outra não seria produtiva», afirma Slash na autobiografia.