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Kanye West na capa da BLITZ de março: “Não sou uma celebridade, sou um ativista”

Kanye West está na capa da BLITZ de março, já nas bancas, onde tentamos desvendar o mistério de um homem aparentemente contraditório

Kanye West, que acaba de lançar o álbum The Life of Pablo, está na capa da BLITZ nº 117, já nas bancas.

Com artigos de Rui Miguel Abreu e Nuno Galopim, tentamos desvendar o mistério de um homem tão polémico como criativo e capaz de despertar paixões.

Leia aqui parte do texto de Rui Miguel Abreu sobre o percurso pessoal do homem de Yeezus.

Kanye West na capa da BLITZ, já nas bancas. Grátis com esta revista: o CD 1º de Agosto no Rock Rendez Vous, dos Xutos & Pontapés

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Kanye West não segue regras. Inventa-as à medida que vai desbravando novos terrenos. E é tudo menos uma estrela convencional. O sucesso pop é uma espécie de alquimia moderna, com as fórmulas que se traduzem em números 1 dos tops a serem cuidadosamente resguardadas do olhar público, mas Yeezy decidiu mostrar ao mundo como se faz e, nas últimas semanas, as fotos do seu bloco de notas inundaram as redes sociais. Serviram como um documento vivo e em constante mutação das ideias, dos golpes de rins que lhe foram guiando os passos até à edição de um álbum que foi rebatizado variadas vezes. Kanye não teme revelar o seu processo criativo ao mundo porque acredita firmemente que está neste planeta para partilhar o seu génio e a sua visão com as massas. Desenganem-se os que veem até na sua prometida candidatura à Casa Branca em 2020 mais um sinal de um ego descomunal: se há coisa que o pai de Saint West quer, é partilhar o mundo com as pessoas. "Preciso de experimentar o que há de valor, e que tenha alma e qualidade, de forma a compreender como se faz e assim poder depois partilhá-lo com as pessoas". Kanye falava aqui de alta-costura com o New York Times, mas a ideia é válida e ajuda a compreender a sua complexa personalidade. Ele não quer ascender acima da multidão: quer antes ser abraçado por ela. "Eu não sou uma celebridade. Sou um ativista", garante. Os genes, ao que tudo indica, têm também uma palavra a dizer.

FILHO DA PANTERA

"Conheço a minha mãe desde que tinha 0 anos de idade", escreve o rapper, com algum humor, no prefácio de Raising Kanye, livro de memórias assinado pela sua mãe, Donda West, em 2007, ano em que esta viria a falecer. "Lembro-me de um dia estarmos a ter uma discussão sobre inglês correto", escreve Kanye. "Eu estava a dizer algo e perguntei-lhe se estava correto. Ela disse-me que dependia porque a linguagem é situacional". O rapper depois dá um exemplo do raciocínio da sua mãe e conclui: "para comunicar efetivamente há que falar para que as pessoas nos entendam". Em 2005, durante uma maratona televisiva de angariação de fundos para as vítimas do furacão Katrina, Kanye falou e todos o entenderam: "George Bush não liga nenhuma aos negros". A mãe de Kanye, professora de Inglês, ensinou-o a comunicar de forma eficiente. O seu pai, um fotojornalista ligado aos Panteras Negras, deve certamente ter-lhe passado parte dos seus genes de combate pois Kanye nunca se absteve de descrever as coisas tal como as via. Doesse a quem doesse.

"Olhando para trás", escreveu Donda West no primeiro capítulo de Raising Kanye, "pensei muitas vezes acerca do que faz com que Kanye seja Kanye. Porque é que ele é tão decididamente diferente, incrivelmente talentoso, mordazmente franco, frequentemente controverso e, surpreendentemente, ao mesmo tempo modesto", escrevia a ex-professora universitária. "O que Kanye é hoje tem tudo a ver com a forma como foi educado, a forma como foi exposto ao mundo, a sua relação com os pais, o impacto dos seus avós, o 'vai para a frente, rapaz' dos seus amigos e família, o trabalho duro da sua equipa, a vontade dentro de si e, sobretudo, a bondade de Deus".

O cartão de cidadão de Kanye Omari West aponta o dia 8 de junho de 1977 como a data do seu nascimento, em Atlanta, na Georgia. Kanye é hoje visto como um nativo de Chicago, mas o futuro rapper só se mudaria para a "windy city" aos três anos, quando os seus pais se divorciaram. O seu pai, Ray West, era um antigo militante dos revolucionários Panteras Negras e foi um dos primeiros fotojornalistas ao serviço do Atlanta Journal-Constitution. "Como o seu pai", escrevia Donda West, "Kanye tem muito pouca paciência para o que considera ser injusto", traço de personalidade que o obrigou a saltar para o palco durante uma cerimónia de prémios onde Taylor Swift ia ser distinguida em detrimento de Beyoncé, por exemplo. E que o levou também a envolver-se numa altercação com um paparazzo no aeroporto de Los Angeles, facto que lhe valeu a imposição em tribunal de seguir consultas de controle de raiva. No passado, nos Grammys, a mola do lado impulsivo de Kanye voltou a funcionar, fazendo-o saltar para o palco quando Beck e não Beyoncé se preparava para receber um prémio. Só que, desta vez, as técnicas aprendidas na terapia devem ter funcionado ("conte até 10...") e o rapper voltou para o seu lugar sem proferir uma palavra, pedindo mais tarde desculpa ao homem de "Loser" (um "winner", neste caso), através do Twitter.