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O outro lado dos Queen em 12 canções

Os quatro elementos da banda britânica (que numa encarnação distinta vem este ano a Portugal) compuseram, todos eles, singles planetários. Mas nos álbuns escondiam apetites menos óbvios. Apresentamos-lhe uma playlist alternativa para uma das maiores bandas rock de sempre

1. "Some Day One Day" (Brian May, Queen II 1974)

A primeira canção vocalizada unicamente por Brian May chega no segundo (e complexo) álbum. Há guitarras eléctrica e acústica e um solo final com três guitarras-solo, não em costumeira harmonia, mas com cada uma a tocar partes diferentes. No essencial, uma bela balada folk aparentemente simples.

2. "Drowse" (Roger Taylor, A Day At The Races 1976)

Neste hino à despreocupação das tardes dos domingos de tempos idos, encontramos um Taylor atipicamente relaxado, longe das explosões roqueiras que o popularizaram. Brian May contribui com guitarra slide. Exemplar.

3. "My Fairy King" (Freddie Mercury, Queen 1973)

Em plena fase «mitológica» do grupo, transporta-nos para Rhye, mundo de fantasia engendrado por Mercury e que voltaria a ser referido na mais conhecida «Seven Seas of Rhye». Freddie Mercury «nasce» aqui. Antes de escrever «My Fairy King», era conhecido pelo apelido Bulsara.

4. "Good Company" (Brian May, A Night At The Opera 1975)

Homem dos sete (ou mais) instrumentos, May criou (e cantou) aqui uma pequena maravilha de estúdio, forjando uma banda «dixieland» apenas com a sua guitarra «Red Special», um banjolele (híbrido de banjo e cavaquinho) e múltiplos efeitos de processamento sonoro.

5. "Misfire" (John Deacon, Sheer Heart Attack 1974)

Discreto mas aventureiro, o baixista arrisca fugir ao território intrinsecamente Queen (guitarras sobre guitarras sobre guitarras) ao terceiro álbum, tocando quase todos os instrumentos e deixando a interpretação vocal para Freddie Mercury (Deacon nunca cantou).

6. "You and I" (John Deacon, A Day At The Races 1976)

Inicialmente tímido na hora de oferecer canções suas ao bem colectivo, «You and I» é a única contribuição de Deacon para o álbum que fez brilhar «Somebody To Love». À sua guitarra acústica contrapõe-se o piano de Mercury e o resultado é gracioso.

7. "Sheer Heart Attack" (Roger Taylor, News of The World 1977)

Semi-acabada aquando da saída do álbum com o mesmo nome, este comprimido de rock'n'roll veloz, editado no mesmo álbum de «We Will Rock You» e «We Are The Champions», pisca o olho à nova ordem vigente: o punk. Quem diria?

8. "Sleeping On The Sidewalk" (Brian May, News of the World 1977)

Habituado a acrobacias de estúdio, May regressa às origens neste blues-rock de jam session gravado em apenas um take, sem Freddie Mercury por perto. Sujo e directo.

9. "Who Needs You" (John Deacon, News of The World 1977)

Um duelo de guitarra espanhola entre Deacon e May será das últimas coisas que associamos aos Queen. Mas aconteceu e Mercury até contribuiu com uma caneca (ou «cowbell», pequeno sino sem badalo percutido). Esquisitices!

10. "Rock It (Prime Jive)" (Roger Taylor, The Game 1980)

Subitamente apaixonado pelos sintetizadores (até aí um bicho-papão), Taylor tece um rock glamoroso, com pormenores electrónicos, vocalização furiosa e imaginário de sábado à noite. Elogio ao poder primevo do rock'n'roll, ainda pintado como a música da adolescência.

11. "My Melancholy Blues" (Freddie Mercury, News of The World 1977)

Perfeito coquetel dos apetites distintos dos seus intervenientes, News of The World é ainda berço de «My Melancholy Blues», peça jazzística em que Mercury se faz acompanhar apenas por piano e baixo.

12. "Man On The Prowl" (Freddie Mercury, The Works 1984)

Atípico na produção dos Queen nos anos 80, investe num rockabilly de três acordes e voz à Elvis Presley, devendo mais a «Crazy Little Thing Called Love» do que a «I Want To Break Free». Mercury toca guitarra-ritmo e May brilha na Telecaster.

Originalmente publicado na revista BLITZ de janeiro de 2010.