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Vida de Estrada: Diabo na Cruz à solta em Sesimbra

A banda de Jorge Cruz voltou aos palcos este sábado à noite e trouxe novidades: vem aí um EP novo. Teresa Colaço continua “em digressão” fora dos centros urbanos

Depois de um ano intenso na estrada (foram cerca de 50 datas, de janeiro a outubro, de norte a sul do país, por entre auditórios, festivais, arraiais e restantes festas de verão), os Diabo na Cruz regressaram aos concertos este sábado, no Cineteatro João Mota, em Sesimbra.

Olhando para quem se concentrava no hall da sala de espetáculos pouco antes de as portas abrirem, percebia-se que o público dos Diabo na Cruz é bastante abrangente. Vimos muita juventude (e boa parte dela literalmente a vestir a camisola pela banda), mas também famílias com crianças pequenas e casais que poderiam ser seus avós.

Ainda a promover o último disco (homónimo, lançado em novembro de 2014), a banda de Jorge Cruz e companhia ofereceu duas horas de festa ao público presente, passando por todos os temas obrigatórios e mostrando, canção após canção, as várias facetas que o diabo é capaz de encarnar. No auditório há espaço para tudo: desde a dança e rejúbilo (à boleia de “Ganhar o Dia”, “Dona Ligeirinha” ou “Corridinho de Verão”, por exemplo) ao cantar de riffs de guitarra e letras de punho erguido (culpa de “Tão Lindo”, “Verde Milho” e “Mó de Cima”) passando pela cada vez menos invulgar invasão de palco do longo comboio popular criado espontaneamente na plateia (tradição de “Chegaram os Santos”).

Mas também houve espaço para novidades: “Heróis da Vila”, canção inédita, retirada das sessões para o último álbum e divulgada no início deste ano, abriu o concerto; mais tarde, Jorge Cruz anunciaria que “Saias” encabeçará um novo EP da banda. Aos arranjos que já conhecíamos (a percussão a meio de “Tão Lindo” ou o final alongado de “Os Loucos Estão Certos” são exemplos de quão bem as músicas dos Diabo na Cruz crescem na estrada), juntam-se agora mais um momento de percussão bem conseguido na introdução de “Vida de Estrada” e um ainda mais festivo final em “Moça Esquiva”. No meio de tanta folia, “Luzia” acalmou os ânimos, embalada numa versão a voz e piano. Cantada quase a meias com o público, a canção de Roque Popular (2012) foi protagonista de um dos pontos altos da noite, a par do comboio e consequente invasão de palco de “Chegaram os Santos”.

A fechar a noite, “Fronteira” – pedida pelo público, que a começou a entoar após o final do primeiro encore – foi também alvo de uma versão a voz e piano. Quando chegou a derradeira “Armário da Glória”, ao olharmos para a plateia – agora já meio sentada, meio em pé – as expressões faciais dos presentes iam do agrado ao espanto, desde a menina mais pequena que o palco à sua frente ao senhor de cabelos brancos sentado lá atrás. Noite ganha. Siga a rusga?

Texto e foto: Teresa Colaço