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“Quem disser mal de Israel deixa de ter carreira”, acusa Roger Waters

O músico britânico, que tem criticado fortemente o Governo de Israel, garante que outros artistas se calam por terem medo de represálias

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Roger Waters, que nos últimos anos tem criticado duramente o Governo de Israel, garante que os músicos norte-americanos não dão a sua opinião sobre o mesmo, com medo de sofrerem represálias.

Em entrevista ao The Independent, o ex-Pink Floyd, que apoia o boicote económico e político a Israel, conta que, na sequência dos seus comentários, foi acusado de ser nazi e antissemita.

"Há dez anos que sou acusado de ser nazi e antissemita. [Os únicos que se pronunciam] sou eu, o Elvis Costello, o Brian Eno, os Manic Street Preachers e mais um ou dois. Mas nos Estados Unidos, onde vivo, já falei [com vários músicos sobre isto] e eles têm um medo de morte".

"Se disserem alguma coisa em público, ficam sem carreira. Serão destruídos. Gostava de conseguir encorajar alguns deles a perder o medo e erguer a sua voz, porque precisamos deles. Precisamos da sua voz da mesma forma que precisámos que os músicos se juntassem aos manifestantes contra a Guerra do Vietname".

Para Roger Waters, a postura do Governo de Israel é comparável "à forma como a África do Sul do apartheid tratava a sua população negra, fingindo que eles tinham algum tipo de autonomia, quando isso era uma mentira. Tal como agora é uma mentira que os palestinianos venham a atingir algum tipo de autodeterminação (...). Eis uma civilização antiga, brilhante, artística e muito humana a ser destruída à nossa frente".

Roger Waters opõe-se ao Governo de Israel desde que, em 2006, visitou o país para tocar em Tel Aviv. Depois de ouvir artistas palestinianos e opositores do Governo de Israel, o britânico mudou o concerto de local, de Tel Aviv para a aldeia de Neve Shalom, fundada por judeus e árabes, atuando porém para uma plateia composta inteiramente por judeus israelitas. "Foi muito estranho tocar para uma audiência completamente segregada, sem palestinianos. Ali estavam 60 mil judeus israelitas, que não podiam ter sido mais acolhedores, simpáticos e fiéis aos Pink Floyd. No entanto, fiquei com uma sensação desconfortável", confessa.

Recentemente, Roger Waters pediu a Caetano Veloso e Gilberto Gil que não tocassem em Israel, à luz das suas convicções políticas. A dupla brasileira levou avante a sua digressão, mas Caetano Veloso já afirmou que não voltará a tocar naquele país.