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Marés Vivas

Hugo Sousa

Marés Vivas muda-se para parque urbano construído em terrenos do GES

No espaço onde se realiza o festival de Vila Nova de Gaia vão ser construídos sete prédios

A Câmara de Gaia vai ter mesmo de permitir a construção de prédios nos terrenos do festival Marés Vivas, que se mudará para um parque junto ao Douro cedido por um fundo de investimento do Grupo Espírito Santo.

Depois de várias diligências, o executivo leva à próxima reunião de câmara um parecer segundo o qual não há "nenhuma razão objetiva" que permita anular o licenciamento da obra nos terrenos junto à Douro Marina onde está prevista, e licenciada pelo anterior executivo, a construção de sete prédios que podem ter até cinco pisos.

"Fica assim assumido o compromisso de avaliar até às últimas consequências o processo de pugnar por modelos urbanísticos de qualidade inquestionável", exige agora, em despacho, a autarquia que também segunda-feira quer chumbar o pedido da própria empresa de ser isentada dos quase 400 mil euros de taxas de urbanização e compensação.

Ao mesmo tempo, a câmara emitiu um parecer desfavorável ao Pedido de Informação Prévia (PIP), que leva à reunião, relativo aos terrenos contíguos, igualmente junto ao rio Douro, onde uma segunda empresa pretendia construir um outro edifício para habitação e serviços.

Perante a impossibilidade de manter o festival de verão no anterior espaço, na Praia do Cabedelo, a Câmara de Gaia já divulgou que o Marés Vivas irá mudar-se para um novo parque urbano que quer construir na área verde junto à antiga Seca do Bacalhau, nos terrenos que pertencem ao fundo de investimento imobiliário fechado Invesfundo III.

Gerido pela Gesfimo, do Grupo Espírito Santo, o Invesfundo III foi constituído em 11 de dezembro de 2006, data em que adquiriu, por 28,1 milhões de euros, um conjunto de quatro prédios contíguos em Canidelo, designados Douro Atlantic Garden (antiga Seca do Bacalhau) e Rua da Bélgica, pode ler-se nos relatórios da CMVM.

Em outubro de 2013 era anunciado o investimento de 60 milhões de euros no empreendimento "Douro Atlantic Garden" pelo GES que pôs então à venda 30 lotes para moradias com preços a partir dos 171 mil euros e onde, neste momento, há ruas desertas, sinais de trânsito abandonados e contentores de lixo vazios.

A comercialização iniciou-se no último trimestre de 2013 e em março de 2014 foi celebrado um contrato promessa de compra e venda de quatro lotes pelo valor de um milhão de euros.

Ainda em 2014 um investidor celebrou um contrato de compra e venda de 26 lotes mas, "invocando a situação do BES e dificuldades em transferir capitais para o país não chegou a concretizar o pagamento", indica o relatório da CMVM segundo o qual o contrato acabou por ser resolvido por mútuo acordo.

Também de acordo com o documento, o Douro Atlantic Garden tinha, como investidor interessado, um grupo francês que ali pretendia construir e instalar um hotel de quatro estrelas.

As operações de loteamento dos dois espaços foram entretanto alvo de aditamentos, os últimos dos quais seguem agora para reunião de câmara e preveem a cedência de quase 50 mil metros quadrados de terreno para a criação do Parque Urbano de Canidelo.

Os documentos, a que a Lusa teve acesso, obrigam ainda o promotor do empreendimento a reabilitar o edifício onde funcionava a antiga seca do bacalhau, no valor de 360 mil euros, que será entregue à paróquia de Canidelo.

Na operação de loteamento junto à Rua da Bélgica, que contempla uma área de 57 mil metros quadrados próximos ao empreendimento Douro Atlantic Garden, está ainda prevista a construção de quatro edifícios com sete pisos.

Em maio de 2015, e depois da falência do GES, era anunciado que o Douro Atlantic Garden estava incluído na lista de imóveis arrestados preventivamente ao grupo.

Lusa