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Vida de Estrada: O bom humor de Miguel Araújo no Barreiro em noite de temporal

Teresa Colaço está em digressão para ver concertos de artistas portugueses fora das grandes cidades. Hoje, reporta o concerto de Miguel Araújo no Barreiro, na passada sexta-feira. O GPS aponta depois para Caldas da Rainha e Sesimbra

O temporal que se fez sentir na sexta-feira à noite em nada afetou a previsão de casa cheia no Auditório Municipal Augusto Cabrita, no Barreiro. Mais uma sala esgotada para receber Miguel Araújo a solo, antes de este subir aos palcos dos Coliseus de Lisboa e Porto por 17 vezes ao lado de António Zambujo.

Sozinho em palco, Miguel Araújo apresentou um alinhamento equilibrado entre temas dos seus dois discos – Cinco Dias e Meio, de 2012, e Crónicas da Cidade Grande, de 2014 – e restantes canções de sua autoria presentes nos álbuns de António Zambujo e Ana Moura. Depois do início com “Cidade Grande I”, tema de abertura do último disco, “Sete Passos (Carolina)” serviu de declaração de intenções: a noite seria apenas de voz e guitarra, propícia ao aparecimento de canções não tão óbvias como esta do seu disco de estreia. Ambiente intimista e acolhedor, portanto, com espaço para conversa bem-humorada sobre as músicas e suas letras.

Pelo meio, houve uma canção nova (“Lá Vai Sofia”) e ainda a revelação de que a dupla Araújo & Zambujo está a braços com uma nova música, desta vez para Marante (“A minha parte já está, já fiz a letra, agora o Zambujo é que faz a música”, brincou). A reta final do concerto, composta maioritariamente pelas canções com mais rodagem na rádio, venceu a timidez inicial do público barreirense, com “Pica do 7”, “Balada Astral” e “Dona Laura” a puxarem pelas vozes e palmas dos presentes.

Até que Miguel Araújo diz querer estrear algo novo que está a ser preparado para a temporada de Coliseus que se avizinha, mas lembra-se a tempo de perguntar se alguém da plateia marcará presença num dos 17 concertos. O público responde com vários braços levantados em toda a sala e o portuense é obrigado a voltar atrás. “É surpresa” diz ele, e terá de o ser para a toda a gente, pelo menos até quarta-feira, data do primeiro espetáculo da dupla em Lisboa.

Houve ainda tempo para uma canção pedida pelo público (“Contamina-me”) antes da obrigatória “Os Maridos das Outras”, tema que lançou a carreira a solo do músico d’Os Azeitonas (apesar de ainda haver quem os confunda - ao nosso lado, uma senhora pedia encarecidamente “os Aviões”). A derradeira despedida foi em inglês, com uma bela versão de “American Tune”, de Paul Simon.

Em formato voz e guitarra num pequeno auditório, com banda e convidados especiais num Coliseu (como registado em Cidade Grande Ao Vivo, CD e DVD editado no final de 2015) ou ao ar livre nos festivais (como vimos no MEO Marés Vivas do ano passado), Miguel Araújo vai provando que as suas canções se adaptam a qualquer palco.

Texto e foto: Teresa Colaço