Blitz

Uma parceria com o jornal EXPRESSO

siga-nos

Perfil

Notícias

Tudo o que interessa saber sobre os Grammys: onde, quando, como, quem vai ganhar e quem vai perder

Os Óscares da música têm lugar esta segunda-feira. Tudo o que interessa saber para acompanhar a noite mais importante da indústria da música está aqui

É a gala em que a indústria mostra o seu poder e se autocongratula. Um “come together” dos seus principais agentes em que os êxitos comerciais são, mais uma vez, reconhecidos. Não é caso raro os artistas e os discos que já alcançaram maiores vendas serem aqueles que recebem o cobiçado e icónico troféu do gramofone. Trata-se, afinal de contas, da capitulação perante o mais conhecido adágio do mundo dos negócios: “Follow the Money”.

Ainda assim, os momentos mais marcantes destas galas são, indubitavelmente, aqueles percorridos por uma enorme tensão política senão mesmo racial. E este ano não será diferente. Em 2015, Kanye West interrompeu o discurso de Beck, que havia acabado de ganhar o galardão para Melhor Álbum do Ano, precisamente para declarar que considerava essa atribuição injusta e que o troféu devia ter ido parar às mão de Beyoncé. Quem viu nesse tresloucado (?) ato apenas uma mera questão de preferências musicais pode estar bem enganado.

O que reservará o autor de “The Life of Pablo”, o seu novo álbum lançado com estrondo no final da semana passada, para esta noite?

Onde e quando
No Staples Center de Los Angeles. A cerimónia tem início à uma da manhã (hora de Lisboa) na noite de segunda-feira para terça-feira e será transmitida em direto pela SIC Caras.

É possível assistir à chegada das estrelas, na muito requisitada passadeira vermelha, no site oficial dos Grammys. Início marcado para as 23h30 (hora de Lisboa).

A gala de entrega de gramofones é, como sempre, organizada pela National Academy of Recording Arts and Sciences. A cerimónia dura cerca de três horas e meia.

LL Cool J

LL Cool J

Quem apresenta
LL Cool J, uma das primeiras estrelas do hip-hop, será o apresentador desta 58ª edição dos Grammys. É a quinta vez consecutiva que lhe cabe esse papel. Cool J ficou conhecido, logo no início da sua carreira, ainda no período áureo da MTV, com a canção “I Need Your Love”. Já ganhou dois Grammys. Mais tarde tornou-se ator, nomeadamente em “NCIS: Los Angeles”.

Quem atua
Taylor Swift, a última estrela a surgir no firmamento da indústria americana, tinha que estar presente. E é ela quem abrirá as hostilidades. Está previsto que interprete uma das canções do seu último álbum, “1989”. Mas as surpresas podem acontecer.
Entre os artistas Lista A ainda há que contar com Adele (a recordista de tudo e mais alguma coisa que porém não está nomeado pois o seu último álbum foi lançado semanas depois das inscrições para esta edição estarem fechadas), Justin Bieber (“Where Are Ü Now”, com Diplo e Skrillex), Rihanna e Lady Gaga que irá homenagear David Bowie interpretando um meddley das suas canções. Trata-se de um dos momentos mais esperados da noite até porque Lady Gaga tem estado a ensaiar com Nile Rodgers, dos Chic, produtor do álbum “Let’s Dance” de Bowie. A cantora anunciou também que irá utilizar uma tecnologia inovadora durante a sua apresentação, resultado de uma parceria com a Intel, conhecida empresa produtora de chips.

Lady Gaga

Lady Gaga

Demi Lovato, Meghan Trainor, Luke Bryan, Tyrese e John Legend serão responsáveis por homenagear Lionel Richie, que recebe o Prémio Personalidade do Ano. Passarão em revista os mais relevantes momentos da carreira de Richie desde os tempos dos Commodores. É provável que sejam acompanhados pelo próprio cantor de “All Night Long”, naquilo que se antevê como o grand finale desta homenagem. Lionel Richie recebeu o prémio Personalidade do Ano da MusiCares.

Já os Hollywood Vampires, isto é Alice Cooper, Johnny Depp e Joe Perry dos Aerosmith, irão relembrar Lemmy Kilmister dos Motorhead, recentemente falecido. Os Hollywood Vampires estarão na próxima edição do Rock in Rio e interpretarão um tema original, “As Bad as I Am”, além do clássico dos Motorhead, “Ace of Spades”. Deste combo ainda fará parte o baixista Duff McKagan, dos Guns N’ Roses.

Chris Stapleton, Gary Clark Jr. e Bonnie Raitt ficam responsáveis pelo tributo a B.B. King, também falecido em 2015, enquanto Jackson Browne se junta aos sobreviventes dos Eagles, Bernie Leadon, Don Henley, Joe Walsh e Timothy B. Schmit para homenagear o também recentemente falecido guitarrista Glenn Frey. Será interpretada a canção “Take It Easy” dos Eagles, claro.

Pitbull chega ao palco acompanhado por Robin Thicke e Travis Barker. E James Bay faz equipa com Tori Kelly. Andra Day junta-se a Ellie Goulding. E Sam Hunt fará um dueto com Carrie Underwood (mashup de “Heartbeat” e “Take Your Time”). Outras atuações: Kendrick Lamar, The Weeknd, Alabama Shakes (“Don't Wanna Fight”), Miguel (versão de “She's Out of My Life” de Michael Jackson), o elenco da peça da Broadway “Hamilton” (via satélite), Joey Alexander (um menino-prodígio com 11 anos que toca piano e está nomeado na categoria Melhor Álbum de Jazz Instrumental) e Little Big Town.

Inédito: Gwen Stefani, dos No Doubt, irá gravar o seu novo video-clip ao vivo, durante um dos intervalos publicitários da cerimónia.

A internet está cheia de rumores sobre uma possível atuação-surpresa de Beyoncé. A mulher de Jay Z tem lugar marcado na primeira fila do Staples Center mas não existe, até agora, qualquer confirmação oficial desta possível apresentação.

Quem vai lá estar
É melhor perguntar quem não vai lá estar pois a fina flor da indústria da música fará questão em marcar presença. Confirmados, porém, além dos artistas que vão atuar, estão também aqueles que irão entregar prémios. Neste rol cabem Sam Smith, Ariana Grande (que recentemente confirmou presença no Rock in Rio Lisboa), Ed Sheeran, Ryan Seacrest e Anna Kendrick.

Quais as categorias mais importantes
Os Grammys incluem um total de 83 categorias pois distinguem uma infinidade de géneros musicais e competências. No entanto, os prémios que mais importam são apenas quatro. Os chamados “Big Four” premeiam o Álbum do Ano, Canção do Ano, Disco do Ano e Melhor Novo Artista.

Taylow Swift

Taylow Swift

Quem está (mais) nomeado
Taylor Swift está nomeada para três categorias das “Big Four”. E Kendrick Lamar está em duas delas. Um deles será o grande vencedor da noite. Até porque quer um quer o outro irão atuar no palco do Staples Center. Os nomeados para os prémios principais são os seguintes.

Álbum do Ano: Alabama Shakes (“Sound and Color”), Kendrick Lamar (“To Pimp a Butterfly”), Chris Stapleton (“Traveller”), Taylor Swift (“1989”) e The Weeknd (“Beauty Behind the Madness”).

Canção do Ano: Kendrick Lamar (“Alright”), Taylor Swift (“Blank Space”), Little Big Town (“Girl Crush”), Wiz Kahifa feat. Charlie Puth (“See You Again”) e Ed Sheeran (“Thinking Out Loud”).
Disco do Ano: D'Angelo e the Vanguard (“Really Love”), Mark Ronson feat. Bruno Mars (“Uptown Funk”), Ed Sheeran (“Thinking Out Loud”), Taylor Swift (“Blank Space”) e The Weeknd (“Can't Feel my Face”).

Melhor Novo Artista: Courtney Barnett, James Bay, Sam Hunt, Tori Kelly e Meghan Trainor.

No total, quem recebeu mais nomeações foi Kendrick Lamar, que somou 11. Taylor Swift e The Weeknd seguem em 2º lugar com sete nomeações cada um. A lista completa de nomeações encontra-se em www.grammy.com/nominees. A maior parte das categorias, no entanto, não é contemplada na gala transmitida pela televisão. Os prémios menos importantes são entregues numa cerimónia intitulada Grammy Premiere Cerimony que começa às 20h30 (hora de Lisboa) e que pode ser vista aqui www.grammy.com/live.

Quem são os portugueses nomeados
Este ano há três portugueses na lista de nomeados. André Allen Anjos, natural do Porto e atualmente a residir em Portland nos Estados Unidos da América, está nomeado com o Remix Art Collective na categoria Melhor Remistura devido a “Say My Name”, um original de Odesza com Zyra. André Anjos faz parte do RAC que já remisturou faixas de Lady GaGa, Kings of Leon, Katy Perry, Lana del Rey ou Bloc Party.

Também os cantores líricos Fernando Guimarães e João Fernandes estão nomeados. Ambos fazem parte da orquestra Boston Baroque, sendo o primeiro protagonista da ópera “Il Ritorno d'Ulisse in Patria”, interpretando o papel de Ulisses. Estão nomeados na categoria Melhor Gravação de Ópera por “Il Ritorno d'Ulisse in Patria” de Monteverdi.

Até hoje, Carlos do Carmo é o único português a guardar em casa uma das grafonolas que representam o troféu. Em 2014, o fadista português ganhou um Grammy Latino devido ao seu percurso artístico.

Kendrick Lamar

Kendrick Lamar

Quem vai ganhar
Ninguém tem uma bola de cristal capaz de adivinhar o sentido do voto do colégio de membros da Academia dos Grammys. Mas tudo indica que Kendrick Lamar irá sair do Staples Center de Los Angeles como o grande vencedor da noite. Não tanto por ser o mais nomeado, ou sequer por ser candidato a dois dos quatro mais importantes prémios.

Lamar é o favorito desta 58ª edição dos Grammys porque representa uma oportunidade para que a Academia reconheça o hip-hop como um género maior. A sua capacidade para introduzir referências consagradas em fórmulas inovadoras pode conduzir à vitória. Sobretudo num ano em que o movimento Black Lives Matter está a marcar a agenda e a controvérsia em torno da discriminação racial dos Óscares, a cerimónia-irmã, terá inevitavelmente consequências.

Kendrick Lamar também não se tem furtado a uma campanha que lhe permita a consagração nesta noite de segunda-feira. O noticiário está repleto de acontecimentos em que é protagonista. O maior deles terá sido a sua presença na Casa Branca para ser agraciado pelo Presidente dos Estados Unidos da América. Há um mês, Barack Obama não escondeu que considerava Lamar melhor rapper que Drake, acrescentando que “How Much a Dollar Cost” era a sua canção preferida de 2015. E “To Pimp a Butterfly” o álbum do ano.

Só uma calamidade impedirá que “Uptown Funk” de Mark Ronson e Bruno Mars ganhe o troféu para o Melhor Disco do Ano. Os galardões para Melhor Álbum do Ano e Melhor Canção do Ano serão renhidamente disputados por Taylor Swift e Kendrick Lamar. É provável que cada um conquiste o seu. Mas as surpresas acontecem. O factor indie, que em 2015 premiou Beck, pode ressurgir e fazer com que o gramofone de Melhor Álbum do Ano seja entregiue aos Alabama Shakes. A distinção para Melhor Novo Artista pode cair para James Bay, que tem contra si o facto de ser britânico sendo o júri maioritariamente composto por norte-americanos; ou Meghan Trainor, que por seu lado é prejudicada por ter editado o êxito “All That Bass” ainda em 2014.

Quem vai perder
Caso Kendrick Lamar seja consagrado vencedor da noite, Taylor Swift será a grande derrotada. Neste caso porque partilha com ele o maior número de nomeações. A enorme exposição de Swift funciona exatamente ao contrário daquela que pode beneficiar Lamar. Taylor Swift já conquistou sete Grammys e uma vitória sua, pelo menos nas principais categorias, iria parecer um déjà vu. Pela mesma razão, tem tal como Swift sete nomeações, The Weeknd pode constituir uma das surpresas da noite. Precisamente porque conta com os mesmo pontos positivos que podem beneficiar Kendrick Lamar - o bónus da inovação e a tendência para beneficiar os afro-americanos - mas falta-lhe, contudo, a bênção de Obama.

Os Grammys são, no entanto, conhecidos pelo seu alto grau de imprevisibilidade. Ao contrário do que sucede com os Óscares é realmente arriscado prever quem vai ganhar o quê.

Originalmente publicado no Expresso Diário de 15/02.