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“Cartaz do Rock in Rio pode ficar fechado na próxima semana”, admite Roberta Medina

A vice-presidente executiva do Rock in Rio falou esta tarde à BLITZ sobre a edição deste ano do festival que voltará a trazer a Lisboa Bruce Springsteen, entre outros. Na próxima semana haverá novidades, também a nível dos transportes e logística

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Roberta Medina, vice-presidente executiva do Rock in Rio, falou esta tarde à BLITZ sobre a edição deste ano do Rock in Rio Lisboa, que se realiza ao longo de cinco dias de maio no Parque da Bela Vista.

Admitindo que o cartaz completo pode ser conhecido na próxima semana, nomeadamente até dia 11 de fevereiro, a empresária mostrou confiança no sucesso daquela que é já a sétima edição portuguesa do festival que nasceu no Rio de Janeiro, no Brasil, em 1985.

Elogiando artistas já confirmados no cartaz, como Bruce Springsteen, Queen com Adam Lambert, ou Maroon 5, Roberta Medina nega dificuldades na contratação de artistas, garantindo mesmo que, devido à dimensão e à experiência do Rock in Rio, o festival tem "vantagem" sobre a concorrência na hora de garantir concertos.

Leia aqui a entrevista, realizada após a conferência de imprensa da apresentação da EDP Rock Street, que decorreu na sede da EDP, na Avenida 24 de julho, em Lisboa.

Quando pretendem anunciar o cartaz completo do Rock in Rio Lisboa 2016?
O nosso desejo é sempre [anunciar] o quanto antes, mas o processo – os contratos, as assinaturas – sempre demoram um pouquinho. Quem sabe na semana que vem, vamos ver. Ainda temos alguns detalhes por afinar mas, se pudermos, até ao dia 11 vai.

Até agora, Bruce Springsteen será a joia da coroa do cartaz...
Acho que ele é uma das joias do mundo! É um dos artistas absolutamente unânimes; não só a sua história e a sua música são absolutamente fenomenais como a sua performance aqui [no Rock in Rio] em 2012 foi histórica. Quem lá esteve de certeza vai voltar. Ainda encontro muitas pessoas que me dizem: eu não acredito que não fui! Foi muito especial e de certeza absoluta que [o seu regresso] vai ser um showzaço. Só um artista desse porte é que nos faz mudar um dia do evento, e para uma quinta-feira. Nós acreditamos e estamos muito confiantes no sucesso da performance desse dia, com os Xutos & Pontapés, os Stereophonics, além de toda a dinâmica de vida da Rock Street, do palco Vodafone, da Street Dance, e tudo o que acontece lá dentro. A sensação que eu tenho é que as pessoas vão cantar em todos os shows que já anunciámos até agora. Queen, Maroon 5, Hollywood Vampires – estes últimos, mesmo que as pessoas não conheçam (ainda, porque vamos trabalhá-los!) - são shows em que uma pessoa canta da primeira à última música, independentemente da idade. O cartaz está de peso. Se olhar em volta, em termos de festivais, penso que não há nada parecido e acredito que vá ser um grande sucesso.

Quando um artista como o Bruce Springsteen toca no Rock in Rio e dá um concerto memorável, essa experiência facilita um novo contacto para um novo concerto?
Nós temos uma facilidade que se chama 30 anos de história e de sucesso, graças a Deus, [um historial] não só de grandes performances como de respeito absoluto pelo talento. [Apresentamos] uma qualidade imbatível em termos de infraestruturas e de entrega. Não é vulgar chegar a um evento dessa dimensão e encontrar o investimento que aqui se faz em infraestrutura, em cenografia, em som. É difícil encontrar em qualquer outro lugar a qualidade de som que há no Rock in Rio; um som como se estivéssemos numa sala pequena. Isso tudo faz com que tenhamos uma relação muito boa, muito próxima [com os artistas]. O que não entra na discussão é: se o show não for de festival, não é de festival! Não se julga uma relação por isso. Temos ótimas relações: quando as bandas estão em tournée e consoante o espetáculo é adaptado a festivais, nós somos sempre, sem dúvida nenhuma, uma das primeiras opções.

Portanto há artistas que não querem tocar em festivais?
Sim, há tournées feitas especificamente para arenas, outras para estádios, isto em termos de performances e cenários. O nosso primeiro evento em Portugal, com o Paul McCartney [em 2004], foi um pandemónio, porque forçámos a barra para mudar. O concerto não era de festival, tivemos de trocar o palco inteiro da noite para o dia… nunca mais! E os Rolling Stones? Sempre dissemos: esqueçam, porque eles não fazem festivais e iria ser o mesmo inferno em termos de produção. Foi um showzaço [no Rock in Rio Lisboa 2014], mas em termos de impacto é muito desgastante. Nós temos uma base, uma estrutura, a que [os artistas] se adaptam. Trazem a cenografia e alguns efeitos especiais, mas com uma base igual [à nossa]. Quando trazem um show que foi feito para outro lugar, realizá-lo é um grande esforço para eles, para nós. Não faz sentido.

A moda dos festivais

Numa altura em que há cada vez mais e mais variados festivais em Portugal...
Felizmente no mundo. Está na moda!

Torna-se complicado assegurar a contratação de artistas?
Pela dimensão do Rock in Rio, temos sempre uma vantagem em termos de contratação. O que eu acho que está a acontecer de muito positivo – também no mercado americano, onde se tem multiplicado o número de festivais – é o resultado de as pessoas precisarem de estar juntas. Não estou só a falar de festivais, mas da cultura e da música. Não dá para ficar só nessa caixinha [mexe no iPhone], nós somos bichinhos, seres humanos, então vejo [este fenómeno] claramente como efeito dessa necessidade de se viver, de conviver. É a essência da gente sem as defesas do dia-a-dia. Acho que [assistimos a] um movimento, não só na área dos festivais mas em tudo o que gera encontros. Você vê web summits: o povo junta-se para jogar video games! Isso porque precisamos de estar juntos. [Parece-me] extremamente positivo [o grande número de festivais]: dá um sinal de mercado forte. Estamos muito otimistas: acho que [Portugal] saiu da história do andar para trás, do travão de mão puxado, saiu desse movimento e estamos num movimento de pisar o acelerador devagarzinho, com cautela, o que é muito bom.

Alguma das pulseiras do Senhor do Bonfim [distribuídas por uma baiana na conferência] serviu para pedir um desejo para o cartaz do Rock in Rio?
Já pedi três desejos, mas não vou pedir nada para o cartaz, ora! (risos) Posso pedir sucesso para o Rock in Rio durante pelo menos mais 30 anos, isso sim. De qualquer forma já tive o meu desejo quando o Robbie Williams tocou cá, sou muito fã!

Era um desejo pessoal?
Era um desejo pessoal mas que não serve de nada para fazer o line up do Rock in Rio! (risos) Veio por ser um nome forte em Portugal, porque enquanto desejo… Apesar de ainda hoje haver uma discussão familiar sobre New Kids on the Block: o meu pai [Roberto Medina, criador do Rock in Rio] diz que foi por minha causa [que eles atuaram no Rio de Janeiro em 1991], eu digo que foi ele que me apresentou a banda. Uma discussão profunda de muitos anos. Como ele é mais velho, estou sempre perdendo essa discussão, mas continuo a dizer que não fui eu que pedi. (risos)

O Rock in Rio tem um historial de casa cheia. Acredita que este ano se voltem a registar enchentes?
Acho que é muito possível, com o cartaz que temos. Não trabalhamos necessariamente para esgotar - o efeito que acontece no Brasil, de termos todos os dias esgotados, não é regra, não é o normal. É muito especial e trabalha-se muito para chegar lá. Trabalhamos, sim, para termos um evento bem composto, para que o negócio funcione e para que possamos fazer muitas mais edições.

Com atenção também à logística?
Em termos de entidades que fazem parte dessa operação em Portugal, temos muita sorte, [contamos com] uma colaboração muito afinada. E este ano vai ser ainda melhor - na próxima semana contaremos mais, mas vai haver novas parcerias e ligações entre Sete Rios e a porta da Cidade do Rock. Com autocarros especiais, para não ser preciso esperar pela hora do comboio e do autocarro.