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Os Azeitonas ao vivo no Coliseu do Porto: Vitória em casa

A banda portuense regressou à sala nobre da Invicta para terminar a digressão “Serviço Ocasional”. Luísa Sobral foi uma das surpresas. E houve música nova. Teresa Colaço esteve lá e conta como foi

Se a primeira passagem dos Azeitonas pelo Coliseu do Porto, em novembro de 2013, foi uma celebração cheia de pompa e circunstância (houve big band, quarteto de cordas, quarteto de clarinetes e fanfarra), o regresso pintou-se mais em tons de gratidão e descontração. Um concerto típico dos Azeitonas elevado ao grau de Coliseu, com a ajuda de uns quantos convidados especiais e uma plateia em pé – e restante sala – completamente esgotada.

Durante mais de duas horas, Os Azeitonas revisitaram os temas mais marcantes dos seus quase 15 anos de carreira, passando pelos óbvios “Anda Comigo Ver os Aviões”, “Quem És Tu Miúda”, “Nos Desenhos Animados (Nunca Acaba Mal)” ou “Ray-Dee-Oh”. Mas houve também espaço para surpresas: em “Showbizz”, de AZ (2013), Nena foi acompanhada na voz e na coreografia por Luísa Sobral; em “Um Tanto Ou Quanto Atarantado” (tema título do primeiro disco da banda, de 2005) foi Presto, dos também portuenses Mind Da Gap, quem se juntou à banda (a canção teve direito a citação de “Rebel Rebel”, de David Bowie, à guitarra); Luís Ruvina tocou órgão hammond em “Lisboa Não é Hollywood”; em “Cantigas de Amor”, que Miguel Araújo (AJ nos Azeitonas) apresentou como homenagem ao conterrâneo Tony de Matos, foi Pedro Tatanka, dos The Black Mamba, a emprestar os seus dotes na voz e na guitarra.

O público desde logo se fez ouvir a alta voz com os pa ra pa pas de “Turné” – aliás, as cantorias da plateia foram presença constante ao longo da noite. Ao segundo refrão da nova “Fundo da Garrafa” já o Coliseu acompanhava João Salcedo (Salsa) palavra por palavra. A canção, que alguns reconheceram de um recôndito vídeo gravado num concerto de 2011 do grupo Os da Cidade - que juntava António Zambujo e Ricardo Cruz a Miguel Araújo e Salcedo -, teve ainda direito a troca de instrumentos.

No último encore, iniciado pela euforia que (ainda) é “Anda Comigo Ver os Aviões”, veio “Dança Menina Dança”, a canção de Salão América (2009), que transforma o palco numa pista de dança, com todos os músicos (11, no total, entre guitarra, baixo, bateria, percussões e sopros) a serem chamados a dançar. No final, o Coliseu respondeu ao apelo com entusiasmo também nos lugares mais cimeiros, em ambiente de festa.

A fechar a noite veio a canção escrita como homenagem ao meio de transporte da banda, “Angelus”: o autocarro em que músicos e comitiva atravessam o país durante todo o ano proporcionou, disse AJ, um convívio e uma camaradagem especial entre todos. Já perto do final, Marlon (o vocalista) emociona-se num discurso improvisado de agradecimento. Findo o momento sentimental, entra a música de fundo para a saída dos músicos e abraços finais. E é mesmo ao som dos ritmos africanos de “Senhor Doutor”, de Quim Manuel O Espírito Santo, que a banda se despede e põe, mais uma vez, o Coliseu a dançar.

Texto e foto: Teresa Colaço