Blitz

Uma parceria com o jornal EXPRESSO

siga-nos

Perfil

Notícias

Almeida Santos (1926-2016): um homem que amava a música

O histórico socialista - que ontem faleceu - foi, para além de político e advogado, intérprete e autor de fado de Coimbra

A vida de Almeida Santos não se resume apenas à sua carreira política. O histórico socialista foi também um homem da música. Nos tempos de estudante viveu na Real República Baco, onde a tradição do fado de Coimbra é longa. Integrou a Tuna Académica da Universidade de Coimbra em 1947, no naipe de violas, tendo-se estreado na serenata de dezembro desse ano. Para além de tocar guitarra na tuna, cantou no Orfeon Académico, coro com o qual se deslocou em digressões a Angola e Moçambique (sobre as quais escreveu o livro Coimbra em África, editado em 1950) e ao Brasil. Foi nestes grupos que se iniciou como intérprete de fado de Coimbra, canção que nunca deixou.

Já neste século, lançou o disco Coimbra no Outono da Voz, que contém, para além de fados por si cantados, variações para guitarra de sua autoria. Sobre o álbum, Almeida Santos disse ser um registo para deixar a familiares e amigos, “não à procura de notoriedade, que aliás não estaria ao meu alcance”. Antes, também apenas para os que lhe eram mais próximos, gravou com o ex-ministro Dias Loureiro o disco Só Para Amigos, no Natal de 2000. Na “brincadeira”, como lhe chamou, Almeida Santos – na altura presidente da Assembleia da República - interpretou duas canções de Coimbra e um poema de Manuel Alegre.

“Lá longe ao cair da tarde”, fado de Coimbra da autoria de Florêncio Neto de Carvalho, é a sua interpretação mais conhecida.