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David Bowie pensava que iria viver mais alguns meses, garante Tony Visconti

Uma semana antes de falecer, o músico inglês ligou ao produtor mostrando vontade de gravar um novo álbum. Visconti fala detalhadamente sobre os últimos meses de Bowie

Uma semana antes de falecer, David Bowie telefonou ao seu amigo e produtor de longa data Tony Visconti, através do FaceTime, para lhe dizer que desejava fazer mais um álbum.

Segundo a Rolling Stone, naquela que se tornaria a última semana da sua vida, David Bowie compôs e gravou maquetas de cinco temas novos e estava ansioso por voltar a estúdio uma última vez.

Desde novembro que o músico sabia que a sua doença era terminal, mas o produtor não percebeu que a vida de Bowie estava tão próxima do fim. "Mesmo no final, ele estava a preparar o sucessor de Blackstar e eu fiquei radiante", afirma Visconti. Perante esta perspectiva, o produtor norte-americano julgou que Bowie estava convencido de que teria ainda alguns meses pela frente. "O fim deve ter sido muito rápido, ele deve ficado muito doente depois daquele telefonema", acrescentou.

Visconti soube da doença de Bowie há um ano, quando o homem de "Changes" apareceu nas sessões de gravação para Blackstar sem cabelo ou sobrancelhas, na sequência de uma sessão de quimioterapia. "Não havia como escondê-lo da banda, mas ele disse-mo em privado e eu engasguei-me quando nos sentámos para falar".

Em meados de 2015, as notícias mostravam-se mais animadoras, uma vez que os tratamentos pareciam estar a resultar. A dada altura, em meados do ano passado, o cancro esteve mesmo em remissão. "Eu fiquei entusiasmado, mas ele estava apreensivo. Disse-me para não celebrar tão depressa", refere Visconti à Rolling Stone. Bowie terá continuado a quimioteria, mas em novembro o seu estado de saúde piorou. O cancro "tinha-se espalhado pelo corpo todo e não havia recuperação possível".

Visconti conta que, mesmo antes de terminado Blackstar, terá comentado com Bowie o conteúdo lírico do disco: "seu sacana, estás a escrever um álbum de despedida". Bowie riu-se, apenas. "A energia dele foi incrível para um homem com cancro. Nunca mostrou medo. Ele só queria fazer o disco", conclui. Visconti refere também que os rumores de outros problemas de saúde entre o ataque cardíaco de 2004 e o diagnóstico de cancro há 18 meses são falsos. Refere-se, em concreto, a outros enfartes. "Ele até teve aulas de boxe", sublinha. Agora é, considera, tempo de celebrar Bowie. Sem lamentações.