Blitz

Uma parceria com o jornal EXPRESSO

siga-nos

Perfil

Notícias

LCD Soundsystem

LCD Soundystem e Guns N’ Roses: as separações são irrevogáveis?

Todos os anos há reuniões. De resto já quase nenhuma separação de banda é necessariamente uma decisão definitiva. E para já 2016 arranca com dois nomes de peso a mostrar que a música, como os gatos, pode ser coisa para várias vidas.

Nuno Galopim

Nuno Galopim

Jornalista

A 2 de abril de 2011 o Madison Square Garden era o palco da despedida, com convidados, uma equipa de filmagem a captar imagens para o filme desse adeus. Tudo isso após cinco noites de preparação para a despedida no Terminal 5, também em Nova Iorque. Tinham sido talvez a mais influente banda dos últimos tempos aliando heranças rock’n’roll a vivências da música de dança, traduzindo melhor do que nenhuma outra os sinais dos seus tempos. Mas despediam-se. E quem viu depois o filme Shut Up and Play The Hits, documento de todo esse processo de despedida, não esquecerá a encenação dos momentos após a separação, com James Murphy regressando ao estúdio onde ensaiavam, ainda cheio de máquinas mas vazio de gente. Era o ponto final. Diziam.

Os Guns N’Roses passaram por um processo diferente, sem hiatos tão definitivamente silenciosos. Mas sem Slash desde 1996 e Duff McKagan desde 1997, não tendo o álbum Chinese Democracy, editado desde então para cá, contado sequer com eles.

Ambos são nomes a figurar como cabeças de cartaz do Coachella 2016, os LDC Soundsystem tendo dado já sinais de que a coisa não acaba ali, os Guns N’Roses tendo na reunião de Slash e Duff McKagen a Axl Rose e restantes elementos da formação atual o seu trunfo em hora de reencontro.

Já nos habituámos a estas rotinas que, de resto, fazem as notícias e os cartazes das grandes digressões e festivais a cada ano. Em 2015, por exemplo, foi o reencontro dos Blur (finalmente em disco após uma série de singles e concertos) que deu algumas das boas notícias neste departamento.

Houve regressos e regressos. Mas raramente transpuseram para novos discos algo que valesse a pena acrescentar às respetivas discografias (e os Blur foram aí uma das raras exceções). Bauhaus e Pixies foram saborosas oportunidades de reencontro uns valentes anos depois nos concertos que inicialmente viviam de memórias. Mas depois, na hora de fazer nova música, os álbuns inconsequentes que gravaram chocaram com essas mesmas boas recordações.

Melhor estiveram os Velvet Underground, a tocar velhas canções com outro domínio do palco. E até os Sex Pistols, com o título de digressão que mais bem expressa a verdade de muitas destas operações, ao voltar aos palcos com a “Filthy Lucre Tour”.

Blondie, Steely Dan, The Police, Dead Can Dance, The Eagles, Jane’s Addiction, The Libertines, Love, Culture Club, Squeeze, Spandau Ballet, Visage, entre nós os Táxi ou mesmo o Pop Five Music Incorporated... Até os Japan se juntaram, se bem que com outro nome. E a lista continua. Sendo certo que nunca veremos os The Smiths ou os Abba a juntar-se à multidão que todos os anos junta uma mão cheia de pazes feitas para voltar aos palcos. Por mais que lhes paguem.

Na verdade, hoje uma banda quando nasce tem já a possibilidade de separação e a de reencontro como episódios naturais. Quase todos o fazem, porque não? E à velocidade a que a memória esquece as coisas por estes dias, ninguém se vai lembrar que em algum dia, no ato do adeus, tenham dito que “nunca mais”... O “nunca mais” nas bandas é como o “irrevogável” na política... E não é como dizia James Bond, porque aqui há quem viva mais do que duas vezes. Basta lembrar quantas ressurreições tiveram os Bauhaus...

E quanto vale uma separação? O bom preço de um reencontro. Em muitos casos isto explica muita coisa.