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Ecologistas contestam nova localização do festival Marés Vivas

O Ministério do Ambiente divulgou hoje ter criado uma Comissão de Acompanhamento para o festival Marés Vivas, que este ano troca a Praia do Cabedelo para um espaço mais próximo da reserva do Estuário do Douro

A criação de uma comissão de acompanhamento do festival de verão de Gaia surge um dia depois de a Quercus ter criticado o novo local escolhido para o evento, junto à Reserva Natural do Estuário do Douro, em Gaia, admitindo recorrer aos tribunais caso os promotores não optem por outra localização.

Em resposta, a câmara diz hoje ter solicitado por carta enviada na segunda-feira ao ministro do Ambiente «a análise a este assunto e a criação de uma Comissão de Acompanhamento», mostrando-se disponível «para as medidas de acompanhamento e verificação» que a entenda tomar.

«A Câmara Municipal de Gaia tem uma total disponibilidade para demonstrar que as preocupações dos ambientalistas são infundadas», refere nota da autarquia, que recusa a existência de «qualquer acréscimo de prejuízo para a Reserva com a nova localização da realização do festival».

De acordo com o comunicado do ministério do Ambiente, a comissão de acompanhamento terá como missão «definir medidas de minimização prévias à realização do Festival Marés Vivas, nomeadamente o local e orientação do palco, a delimitação de zonas de circulação interdita, as barreiras acústicas suplementares e todas as que se julgarem relevantes que reduzam potenciais impactos ambientais».

A comissão, que integra três representantes do Ministério do Ambiente, irá também «acompanhar e fiscalizar as atividades ligadas ao referido festival, recolhendo informação sobre o ruído produzido e a perturbação efetiva provocada sobre a fauna local».

O ministério do Ambiente assegura que a equipa «vai trabalhar em articulação com a Câmara Municipal de Gaia, podendo ouvir e pedir aconselhamento a outros profissionais e membros de organizações ambientais».

A preparar-se para a sua 14.ª edição, o festival Marés Vivas terá de abandonar o espaço que o tem acolhido nos últimos anos porque os proprietários dos vários lotes de terreno junto à Praia do Cabedelo decidiram avançar com a construção de diversos edifícios aprovados em 2007.

Já na segunda-feira, e questionado sobre a posição da Quercus, o presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, garantiu que «não há qualquer invasão» nem «destruição» da reserva, «pelo simples facto de nada lá ocorrer, e não há maiores impactos do que houve durante 13 anos, escassas centenas de metros adiante».

O autarca recordou que o evento dura três dias e realizou-se durante vários anos no Cabedelo, perto do Estuário do Douro, em terrenos privados.

No final de novembro, a Câmara de Gaia anunciou que iria mandar auditar todo o processo aprovado pelo anterior executivo para evitar que sejam construídos sete prédios nos terrenos onde se tem realizado o festival de música.

Para o primeiro dia do festival de 2016, a realizar-se entre os dias 14 e 16 de julho, foi já confirmada a atuação do músico britânico Elton John.

Lusa