Blitz

Uma parceria com o jornal EXPRESSO

siga-nos

Perfil

Notícias

Christopher Polk

Kanye West tem o mundo aos seus pés e calça Adidas

“Facts”, o novo tema com que Kanye vai gerindo a espera para Swish, está repleto de recados e tem muito que se lhe diga.

“Não larguei o álbum/mas os meus sapatos chegaram à platina”. Kanye West refere-se ao resultado da sua aliança com a Adidas que se tem traduzido em vendas assinaláveis dos modelos que assina, mesmo sem a prometida edição de SWISH ter acontecido. O “recado” está em “Facts”, tema que Kanye West largou na sua página Soundcloud há meros quatro dias e que, compreensivelmente, tem estado a agitar as redes.

Trata-se de um ataque à Nike, marca com que o rapper norte-americano teve uma ligação no passado, e uma espécie de “discurso à nação” em vésperas do arranque de um novo ano: Kanye comenta o caso Bill Cosby, alude à gafe do apresentador da cerimónia da Miss Universo e faz, claro, questão de sublinhar as suas proezas empresariais e também as da sua mulher Kim Kardashian, cujo negócio de emojis lhes terá rendido “um milhão por minuto”. Exagero, provavelmente, mas não há como negar: Kanye é um novo tipo de artista num novo tipo de indústria e tem sabido, como poucos, gerir as expectativas consideráveis erguidas em torno da sua pessoa.

Num momento em que se fala dos milhões que a imprensa cor-de-rosa oferece ao casal West/Kardashian em troca de fotos do bebé que aí vem, Saint West (o filho de um Deus só pode ser um santo...), percebe-se claramente que Kanye possui uma dimensão sobrenatural. E o mais provável é que toda esta excitação se traduza em quebra de recordes quando o seu disco for finalmente lançado.

No momento em que 2014 se transformou em 2015, Kanye lançou “Only One”. Em 2015, a sua última notícia foi dada com o fantástico “All Day”. E para marcar a chegada de 2016, Kanye escolheu este “Facts”. Não se pode propriamente vislumbrar ali uma estratégia gizada com calculismo – embora essa hipótese não seja também de descartar -, antes golpes de rins motivados pelo ego gigante que Kanye nunca escondeu possuir e que até se traduziu numa reafirmada vontade de concorrer à Casa Branca em 2020 (“2020, I’m a run the whole election”, garante em “Facts”). Este tema está tão ligado ao presente que só pode mesmo ser um produto do momento, um “fuck it, i’m going to drop it” que é impulso, mas também marca de génio. Kanye até aproveita “Jumpman” de Drake e Future como o seu molde, facto que deixa crer que este novo tema é Kanye a tratar o microfone como se fosse um púlpito e o seu público como se fosse um eleitorado. Ele quer, pode e manda. E quando finalmente acontecer, Swish poderá muito bem representar uma qualquer importante mudança de paradigma. Mas é melhor esperarmos todos sentados... Com um pacote de pipocas na mão, porque este filme ainda agora começou.