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Os últimos dias de Lemmy: 'Parecia a história do Rocky', diz manager

Lemmy ainda celebrou o 70º aniversário, a 24 de dezembro, com Lars Ulrich ou Billy Idol, mas o seu estado de saúde estava muitíssimo debilitado há muito.

A Rolling Stone publicou um artigo sobre os últimos dias de vida de Lemmy Kilmister. Com testemunhos de pessoas próximas do músico, como o seu manager, a Rolling Stone escreve que o britânico ainda celebrou o seu 70º aniversário, a 24 de dezembro, assistindo a um espetáculo organizado por amigos célebres, em Los Angeles. Matt Sorum e Slash, dos Guns N' Roses, e Billy Idol foram alguns dos participantes no mesmo. A 26 de dezembro, Lemmy queixou-se de dores no peito e foi às urgências do hospital, tendo tido alta no dia seguinte. Os médicos não encontraram problemas cardíacos, mas a equipa do músico decidiu pedir um exame ao cérebro, uma vez que o discurso de Lemmy começava a falhar. "Levaram-no para fazer um raio x e disseram logo: oh meu Deus, ele tem coisas espalhadas por todo o cérebro e pescoço. No sábado, o médico foi lá a casa, mostrou os resultados e disse-nos que ele tinha dois a seis meses de vida", conta Todd Singerman, manager de Lemmy. Lemmy reagiu com calma ao diagnóstico de cancro. "Reagiu melhor que todos nós. O seu único comentário foi: só dois meses, é? E o médico disse: sim, não te quero enganar, ninguém pode fazer nada".

O manager conta que estava inclinado a noticiar apenas que Lemmy estava gravemente doente, mas que o músico queria que se soubesse que sofria de cancro. Os planos da equipa passavam por lançar um comunicado de imprensa, depois de informar os amigos próximos e familiares.  Para acompanhar Lemmy, já haviam sido contratados enfermeiros e sido instalada, na sua casa, uma consola de jogos de vídeo que o cantor adorava, e que costumava jogar num bar de Los Angeles. Lemmy ainda chegou a avisar os seus parceiros de banda do seu estado de saúde, no domingo à noite.

No mesmo artigo, o manager de Lemmy confessa achar estranho que o líder dos Motörhead tenha ido "a milhares de médicos e hospitais em todo o mundo e ninguém tenha dado pelo cancro [terminal]". Às primeiras horas de segunda-feira, o músico recebeu a visita do médico; o resto do dia foi passado a jogar na consola e, mais tarde, o dono do clube Rainbow, Mikael Maglieri, visitaria o amigo. Foi durante esta visita que Lemmy fechou os olhos para nunca mais acordar.

Desde 2013 que a saúde de Lemmy se vinha a deteriorar gravemente, levando-o a abanadonar vários concertos. O inglês sofria de diabetes e arritmia, mas continuou a tocar ao vivo e ainda lançou um novo álbum com os Motörhead. Segundo a Rolling Stone, Lemmy fez algumas mudanças no seu estilo de vida, desde que adoeceu: passou a fumar um maço de tabaco por semana, em vez de mais de dois por dia, e trocou o Jack Daniels por vodka com laranja, mas ainda tomava speed todos os dias.

Nas últimas semanas, o seu ritmo abrandou consideravelmente. "Já não fazia soundchecks. Não dava entrevistas. Não conseguia fazer nada", conta Todd Singerman.  Mas continuou a dar concertos. "Pensar no tipo de energia e nos tomates que foi preciso ter para continuar a tocar para os fãs, para dar o último concerto há duas semanas, e depois cair para o lado. Parece a história do Rocky. É coragem no seu melhor. Ele estava a morrer. Não sabia, mas o seu corpo deve tê-lo sentido. Já não tinha mais nada".

Também a morte do antigo baterista dos Motörhead, Phil "Philty Animal" Taylor, em novembro deste ano, afetou o estado de espírito de Lemmy, completa Todd Singerman, que foi seu manager durante 24 anos. Getty Images