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A viagem com regresso dos Tame Impala no Vodafone Paredes de Coura

Banda australiana serve menu de rock espacial - com abundantes piscadelas de olho aos anos 80 - à maior plateia da noite.

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Com Lonerism, os Tame Impala exercitaram-se em ambiente space-rock. O sucessor, Currents, recém-editado, bate à porta dos anos 80 synth-pop, mantendo o psicadelismo 'aéreo' como subtexto. Entre uma coisa e outra - aparentemente contraditórias - situou-se o concerto que encerrou o palco principal do segundo dia do Vodafone Paredes de Coura 2015.

Não nos pareceu um grande espetáculo - os momentos mortos foram alguns, especialmente aqueles que foram apurados de Currents, um álbum barafunda que demora a ganhar coerência -, mas dificilmente um fã de Tame Impala sairá daqui com queixumes. São cinco e tocam bem juntos: dois teclistas, um baixista, um baterista e um guitarrista/vocalista que manda em tudo: Kevin Parker, voz nasalada e falsete sempre solícito.

Depois de uma breve introdução, aposta-se alto com "Let It Happen", o momento mais faustoso do último álbum, épico para vários apetites e um excelente cartão de visita para uma banda que se fartou das elipses de Lonerism e quis partir para outra. "Este é o maior concerto que demos neste país", começa por dizer Kevin Parker, que não se demora a distribuir palhetas de guitarra pela primeira fila. O contra-clímax não se faz esperar: "The Moment", pastosa e ensopada (são os anos 80 mais sintéticos aqueles que aqui esgrimem ideias), não será certamente o momento mais memorável da discografia dos australianos.

Tempo para saltar para Innerspeaker, o primeiro álbum, com "It's Not Meant To Be". Estamos em domínio soft rock colorido e espectral, todo o pedigree que levou até Lonerism. Impunha-se excitação: chega "Elephant" e a casa vem abaixo. É, ainda hoje, a canção mais certeira dos Tame Impala. Braços no ar, água arremessada à plateia, a multidão que preenche rigorosamente todo o anfiteatro de Paredes de Coura salta. A partir daí, a nave voltou a pousar. E o público, rendido à partida, foi esperando por algo maior que - após mais algumas esquecíveis evocações de Currents - chegou mais perto do fim com uma "Feels Like We Only Go Backwards" capaz de ondular cabeças. Múltiplos elogios, francos agradecimentos, expectativas razoavelmente correspondidas. Sem euforias.

Texto: Luís Guerra

Fotos: Rita Carmo