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Vamos aprender a voar com os Linda Martini? Assim foi a primeira noite no Musicbox, em Lisboa

Quarteto arrebatou corações na primeira de três noites de revisão de carreira. Sala esgotada escutou o passado. Leia a reportagem e veja as fotos.

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Onde é que você estava quando ouviu a "Amor Combate" pela primeira vez? A pergunta poderia ser feita a qualquer uma das pessoas presentes na primeira de três noites que os Linda Martini farão no Musicbox, revisitando os temas dos EPs mais antigos e dos seus dois primeiros álbuns de estúdio. E é uma pergunta que é feita no mesmo tom saudosamente revolucionário de Armando Baptista-Bastos. Os Linda Martini foram, e continuam a ser, uma revolução em si mesmos; a prova cabal, pouco depois da viragem do milénio, de que era possível reescrever bom rock cantado em português.

Esta noite, contaram-se pelo menos três gerações: aqueles que vinham já de trás, acompanhando a banda quando esta nem existia e os seus membros se dividiam pela cena hardcore lisboeta; aqueles que, jovens, os descobriram após o lançamento do EP homónimo, em 2005; os que despertaram para a banda há pouco, provavelmente no mesmo período em que despertaram para a música, que não tinham ainda chegado aos dois dígitos de idade quando os Linda Martini conquistaram almas e corações através da canção que os tornou um caso sério de culto.

Estes últimos, muito mais numerosos, deixaram à pinha o Musicbox, e não deixaram de entoar todas as letras. O futuro, parece-nos, está bem entregue. E existe ainda uma quarta geração, que há de vir, que por agora se esconde no ventre da baixista Cláudia Guerreiro, mas que certamente terá a mesma apetência para beijar o éter ao som do noise que os de hoje. A fórmula Linda Martini é simples e eficaz: versos futebolisticamente cantados a pleno pulmão, um baterista endiabrado e duas guitarras que ora enchem o espaço com as mais belas melodias amorosas, ora despedaçam o ar através do feedback.

Como há muitos milhões de anos a vida, a primeira noite inicia-se em "Este Mar", que de pronto dá lugar ao tema que é impossível não escutar num concerto seu, sob pena de de lá sairmos desiludidos. Todas as bandas têm um momento ao qual não podem fugir, e no caso dos Linda Martini esse momento é calorosamente recebido em coro: O nosso amor morreu / Quem o matou fui eu / O chão que pisas sou eu. Se dúvidas houvesse de que estávamos perante uma noite em que os Linda Martini serviriam de máquina do tempo até ao mais profundo da adolescência, dos amores e desamores e lágrimas vertidas de sabor rebuçado, essas dissiparam-se aos primeiros acordes de "Lição de Voo Nº1". Braços no ar e toda uma alma entregue ao cume: Hoje toquei num avião / Sem tirar os pés do chão.

Compenetrados durante todo o concerto - por vezes davam até a entender que estavam ainda a apalpar terreno, a tomar a primeira noite como ensaio para as duas outras -, os quatro elementos em palco foram pulando cronologicamente por Linda Martini e de pronto desembocam em Marsupial, EP de 2008 que nunca havia sido tocado na íntegra. Apesar dos enganos em "Parada", com André Henriques a apoderar-se momentaneamente do baixo para que a sua dona original tentasse dar-se bem com a melódica, Marsupial acabou por obter o respeito merecido - até o momento funk de "Intrusa" permitiu um pezinho de dança. Mais não se pediria à apresentação in loco do EP que contém uma das melhores, e mais belas, canções do grupo: "As Putas Dançam Slows", também ela calorosamente recebida, e que fechou a primeira parte do concerto. O encore seria servido com três poucas surpresas e uma gigante. Se "Volta", "Panteão" e "Ratos", todas elas retiradas de Turbo Lento, o seu último disco, fizeram as delícias dos fãs mais jovens, muitos deles introduzidos ao mundo Linda Martini através do mesmo, foi a versão de "Adeus Tristeza", de Fernando Tordo, quem venceu claramente a noite.

Apenas encontrada no EP Intervalo, editado pela então Optimus Discos em 2009, "Adeus Tristeza" atiçou de vez uma carga emocional que já era imensa quando, por volta das 21h30, se punham os dois pés dentro do Musicbox. O espírito rock, que aqui se traduz como "juvenil" e "rebelde", pode levar-nos a pensar que uma canção apreciada pelos nossos pais não poderá nunca ser uma óptima canção; nas mãos dos Linda Martini, transforma-se num ditame furioso contra todas as relações amorosas e de amizade que terminam por culpa própria. Sempre sorridente, Cláudia Guerreiro chegou a afirmar, em jeito de piada, que "Adeus Tristeza" era "claramente o maior êxito dos Linda Martini". Discordamos respeitosamente, mas que reluziu com um brilho especial, não o poderemos negar. O coração anteriormente cemitério rende-se e despede-se com um "até já". A próxima paragem, já amanhã, vai pelo nome de Olhos De Mongol.

Texto: Paulo André Cecílio

Fotos: Rita Carmo/Espanta Espíritos